11/08/2006

Um grande desafio ! (Parte I)


Juro-vos que as mãos até me tremiam quando abri o envelope. Uma carta registada da Câmara Municipal do Porto para o Teatro da Palmilha Dentada. Eu estava nervoso. Confesso. Mas era natural. Uma carta registada tem sempre algo de solene, de importante. É algo que não podemos ignorar, é por isso que vem registada, e esta até vinha com aviso de recepção. E mais era uma carta da câmara, e com a política de contenção financeira em vigor apenas podia ser coisa importante. E por fim, era uma carta grande. A4, própria para quem não quer dobrar os documentos que envia. Eu tinha razões para estar ansioso.

PUM!

Eu devia calcular. Aliás os sinais eram por demais evidentes. O Teatro da Palmilha Dentada foi criado em 2001, foi em 2001 que o Bush perdeu as eleições que fizeram dele presidente da América, foi nesse mesmo ano que o outro perdeu a eleição que fez do Dr. Rui Rio nosso presidente da câmara, curiosamente foi também nesse ano que caíram as torres gémeas e nesse mesmo ano acabou o Porto Capital da Cultura. Só estando muito distraído é que não relacionei todos os dados.

Aliás eu nunca me acreditei naqueles que diziam que o homem estava a improvisar, ele sabe sempre o que faz, perfeitamente. Ele tem tudo pensado. É evidente que ele não avançou com a ideia de privatizar o Rivoli se ter uma solução bem pensada. Ele bem sabe que ele é que foi eleito, ele é que tem tomar as opções. E nós temos é que confiar nele.

E agora ele quer que o Teatro da Palmilha Dentada vá gerir o Rivoli. A sério! Nas palavras do documento que recebi ele está a consultar “as diversas entidades produtoras e ou promotoras de espectáculos, (e esta é a parte importante) que possam satisfazer os objectivos do Município do Porto no que respeita à função do seu mais emblemático Teatro Municipal”

Desde que a minha mãe deixou de ir ver os nossos espectáculos que ninguém afirmava acreditar tanto em nós. E nós não podemos deixar mal o Município do Porto. Principalmente depois do nosso presidente ter reconhecido que é completamente incompetente para gerir a coisa. Somos nós que temos de arregaçar as mangas e votar a coisa para a frente. Temos quatro anos para fazer o que ele foi incapaz de fazer em cinco.

È evidente que temos que começar já a trabalhar a solução. Felizmente anexo à gentil carta vem uma coisa a que chamaram “LINHAS DE ORIENTAÇÃO DO MODELO DE FUNCIONAMENTO DO TEATRO MUNICIPAL DO PORTO” (as maiúsculas são deles). Está lá o fundamental para começar o trabalho de preparação e planeamento.

Obviamente puxei logo da calculadora.

300 Espectáculos por ano, pedem eles.
Pelo que li no jornal, o Rivoli teve no passado uma média de 388 espectadores diários, mas o Dr. Rui Rio já garantiu que o Rivoli com a nova gestão vai ter muita mais gente. (preferia que ele não subisse tanto a fasquia) Vamos arriscar 500.
150.000 Pessoas no próximo ano vão passar e estar no Rivoli durante, digamos, duas horas por dia.

Quem é que vai pagar o papel higiénico a esta gente toda.

Ok, pode parecer mesquinho. O homem oferece-se para me dar o usufruto da casa por quatro anos, paga-me a luz, a electricidade, trata da menage e só quer 5 por cento da bilheteira. Pode parecer mesquinho eu estar a levantar a questão do papel higiénico, mas como toda a gente sabe é nos pequenos pormenores que se perdem ou ganham os grande negócios.

E não é só o papel higiénico, há ainda o sabão líquido, e os toalhetes de papel. Ou será que no Rivoli já só se limpa as mãos naqueles sopradores de vento morno? Pena o Rivoli estar fechado em Agosto senão ia já lá para verificar se tem sopradores ou toalhetes. As contas ficavam mais claras. E tenho que começar a fazer a média ao papel higiénico que gasto em casa.

A questão até pode parecer pacífica, mas não é. No espaço vai continuar a funcionar o café teatro e a cafetaria e o utentes desses locais vão usar as mesmas casas de banho que o meu publico. Porque razão vai o Teatro da Palmilha Dentada, quando assumir a gestão do espaço, pagar a higiene íntima dos clientes dos outros.

Infelizmente as “LINHAS DE ORIENTAÇÃO DO MODELO DE FUNCIONAMENTO DO TEATRO MUNICIPAL DO PORTO” (as maiúsculas são ainda deles) não são clara em relação a esse ponto. Estará o papel higiénico inserido na “manutenção ordinária do espaço” que ele se propõe a realizar? Ou estará inserido “nos custos e despesas” das quais seremos únicos responsáveis?

Felizmente o Dr. Rui Rio pensou em tudo e criou uma espécie de linha de apoio à privatização do Rivoli. “COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DO TEATRO RIVOLI” (as maiúsculas são novamente deles).

Acho que lhes vou escrever a perguntar se a despesa do papel higiénico é deles ou nossa. Por outro lado também me parece mal estar a incomoda-los com estas questões pequenas. Que faço?

Mas por outro lado parece-me importante que tudo fique claro. E já agora se nós não conseguirmos pôr de pé este difícil projecto, será que eles estão disponíveis para nos pagar o papel higiénico que o nosso publico gaste noutras salas do Porto? Era justo.

Ainda agora comecei a analisar o dossier e já tantas dúvidas. Alguém me ajude por favor.

7 comentários:

mãos disse...

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mãos disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Pop-up disse...

o rivoli tem daquelas toalhas em rolo, da climex ou euromex ou texmex (passo a publicidade).
a minha sugestão quanto ao papel higiénico é:
dotar as casas de banho do rivoli com bacias oblongas - vulgo bidet - e um jactinho de água morna... assim sempre se pouparia nos rolinhos de papel.

Helena Henriques disse...

Ora realmente, de pequenas questões se fazem os grandes negócios! Sugiro a possibilidade de pedir à clientela que faça como nos parques de campismo e traga de casa a saboneteira e o rolo de papel - isto implicaria uma pequena alteração das cadeiras das salas, colocando nos braços uns suportes (tipo os do AMC para copos) para os artefactos indispensáveis à higiene, uma vez que guardá-los nos bengaleiros seria moroso. Bem sei que resta o problema das áreas de cafetaria e restauração, uma vez que reconheço que não ficaria bem adaptar as cadeiras destes espaços, assim sugiro umas malinhas de mão (tipo aquelas da TAP dos anos 70 com o lígotipo da CMP oferecidas à entrada do espaço. Que tal? Tenho consciência de que estas soluções precisam de ser mais elaboradas, mas isto é um princípio, de borla e tudo!

mim disse...

ora venha daí a Parte II!

manualdedeus disse...

Com tanto papel de burocracia na câmara deve sobrar muito para colocar nos WCs do Rivoli.

Anónimo disse...

Façam um acordo com a cafetaria e o café-teatro para eles adicionarem em todas as bebidas um produto que provoque prisão de ventre... Irão poupar muito em papel higiénico!