29/07/2006

Sub júdice

José Miguel Júdice quer mudar o Estatuto da Ordem dos Advogados.
O Advogado está a ser alvo de um mediático processo disciplinar por parte da entidade reguladora da profissão por ter dito que o Estado deveria contratar apenas as três maiores sociedades de advogados do país, entre as quais a sua, para resolução de questões jurídicas. Esta declaração, que demonstra que o altruísta Júdice apenas quer o que é melhor para o Estado – afinal se são as maiores têm necessariamente de ser as melhores – foi mal interpretada, vergonhosamente e intencionalmente mal interpretada, pela classe. Eles, os outros, os pequenitos, fizeram lobby junto do Conselho de Deontologia da Ordem dos Advogados e deu nisto! Manifs na Ordem! Onde é que já se viu? Daqui a pouco querem pleitear sem toga! Jacobinos! Bom, o que é certo é que o Conselho lá caiu na esparrela e instaurou um processo ao Júdice. Na sua defesa, o advogado falou, falou e falou, defendendo-se como pôde dos ataques dos inquiridores. Tanto falou, que passada a meia-hora foi interrompido por um dos membros do Conselho que lhe disse que o tempo tinha acabado. O Advogado, e bem, não se calou e prosseguiu com a sua defesa. O Conselho levantou-se e saiu da sala. E agora aguarda-se decisão.
José Miguel Júdice quer, então, mudar o Estatuto da Ordem dos Advogados. Segundo palavras do próprio: “O meu processo demonstrou a necessidade de consagrar três princípios fundamentais: a igualdade de armas, o contraditório pleno e a impossibilidade de punir alguém por algo de que não foi acusado.”
E agora, certamente, virão vozes discordantes dizer barbaridades destas:
- Mas então ele não foi Bastonário antes do que lá está?
- Mas não há sempre alterações ao Estatuto, mesmo no período em que ele era Bastonário?
- Isto já não era assim nessa altura?
- O Júdice é aquele de barbas não é?
- O actual bastonário, também presidente da mesa da AG do Sporting, não era porta-voz do Júdice no seu mandato?
- Não foi o candidato da continuidade, apoiado pelo Júdice?
- Sabem o que são mil advogados amarrados no fundo do mar?
- Um advogado, na defesa do seu constituinte, não tem, também em tribunal, apenas meia hora para alegar, em alguns tipos de processos?
- Os outros advogados também não têm apenas meia hora para alegar nos processos disciplinares?
- Sabem quando é que está mesmo, mesmo, muito frio?
- Mas então o Júdice não está sujeito às mesmas regras do povo em geral e dos restantes colegas ao ter apenas meia hora para alegações?

Está, meus amigos! Mas não devia! Afinal, ele é dono de uma das três maiores sociedades de advogados do país…

4 comentários:

Flanco disse...

O que a Palmilha Direita quer dizer neste post é que o Sr.Júdice não devia ter dito o que disse.A partir daqui poderão comentar...

mim disse...

obrigada pelo esclarecimento!

pvc disse...

O palmilha Direita a imaginar-se envolvido num caso destes....e a sua mega sociedade de Advogados....sim! Poder, Corrupção, Adrenalina!!! Entretanto, vai mandando umas postas...de bacalhau.
Será legal?

Ricardo L. disse...

Direita Direita, a sua visão se estreita enquanto o senhor respeita a liberdade de expressão de quem se deleita com a sua prosa escorreita e crítica perfeita!
;)

(pena ser um post com público alvo...)