25/01/2009
17/01/2009
a cidade dos que partem

Um desafio foi-nos colocado. Um musical sobre a cidade do Porto. Fomos a jogo e o resultado é “A cidade dos que partem”, um musical que em vez de lantejoulas tem tripas. As que são à moda do Porto, mas também as que são restos. Porque esta, como outras cidades, vive dos que nela fazem feijoada com as tripas que os outros nos deixam. Nós gostamos do feijão e diverte-nos a cara que os outros fazem a comê-la. Se a vida te dá limões tens de fazer limonada. Venham beber uma limonada a partir de dia 30 de Janeiro no Teatro Carlos Alberto.
14/01/2009
A cidade chama seus aos que a adoptam, e os que dela partem continuam a chamar-lhe sua. Porque as cidades nunca são pontos de partida, são sempre cais de permanentes chegadas. E mais do que espaços físicos, são a soma dos sonhos daqueles que as habitam ou habitaram. E expostas as banalidade iniciais passemos ao concreto.
A cidade, ao contrário do que gostamos de pensar, não é culpa de um. É de todos nós. Neste momento reflectir sobre o Porto é acima de tudo reflectir sobre o actual momento do país e na forma de ser português no século XXI. Sendo certo que o Porto vive momentos particularmente difíceis, fruto das visões puramente economicistas de quem nele manda, a verdade é que as cidades são muito mais que os seus líderes, que um dia serão apenas visões nebulosas perdidas no anonimato das memórias vagas.
E se o Porto é neste momento um deserto de oportunidades, que não luta contra a sangria rápida que nos leva as gentes e a capacidade de concretizar sonhos, a culpa é de cada um de nós. Dos que ficam sentados à espera que a conjuntura melhore, dos que se mexem pouco no pressuposto do que pouco é melhor que nada, dos que sem forças para partir não tem também a força de saber ficar.
Ricardo Alves
02/01/2009
Brevemente

Alguns dizem que as tripas à moda do Porto surgiram porque as gentes da cidade ofereceram a carne para alimentar os lisboetas no cerco da cidade. Outros dizem que o sacrifício foi em nome da nação que se expandia além fronteiras em naus repletas de tripulações famintas. Outros dizem que é apenas uma má ideia de um mau cozinheiro. Outros ainda dizem que quando a vida nos dá tripas temos que fazer feijoada. Nós? Dizer, não dizemos nada. Desta vez cantamos. Cantamos a cidade e as tripas. Cantamos as chegadas e as partidas. Cantamos o que somos, o que fomos e o que achamos que somos ou fomos, mas que afinal nunca chegámos a ser. E rimos. Rimos bastante. Em primeiro lugar, rimos de nós mesmos. Depois, rimos dos que nos governam, rimos dos que são governados, rimos dos que vão embora, rimos dos que cá ficaram, rimos dos que sonham e… sonhamos com eles. Portanto, voltamos a rir de nós mesmos.
Teatro da Palmilha Dentada
01/01/2009
Os votos do Sr. Palmilha para 2009

"A felicidade é uma arma quente, Mamã. É sim senhora." E citado o poeta passemos ao concreto. Eu tive um sonho, em que também eu era um berlinense, e porque é a hora da mudança, não devemos perguntar o que podem fazer por nós mas sim o que por nós podem fazer. Porque a tristeza é o ópio do povo, porque a felicidade de um não pode acabar onde começa a de outro, felizes de todo o mundo uni-vos! Já que a crise é um dado adquirido, sejamos tesos mas felizes!