30/01/2007
Batidos de notícias
Conclusão: Se a mãe da pequena Esmeralda tivesse podido abortar, por esta altura a miúda não estaria a dar problemas a ninguém!
29/01/2007
20/01/2007
14/01/2007
12/01/2007
R.III
adaptação livre de "Ricardo III" de William Shakespeare
"Uma comédia negra de traços grotescos e bizarros que anda de braço dado com o musical . Uma mistura explosiva que torna este espectáculo apto para quase todo o tipo de públicos, (desaconselhando-se desde já a pessoas que sofram de ideias feitas e achem que os clássicos são invioláveis), R. III trata da permanente disputa do poder a qualquer preço e a falta de escrúpulos para a conquista e manutenção dele. O protagonista, impedido pela sua deformidade de usufruir dos prazeres da conquista amorosa, planeia chegar ao poder mesmo sendo dos últimos na linha sucessória. Para alcançar o seu objectivo, utiliza vários estratagemas: conspira, manipula, explora, agrega apoios, promove alianças por conveniências momentâneas, cria adesões e coligações, persegue e condena à morte os opositores. Movido pela sede de poder Ricardo III articula-se nas sombras, até alcançar o triunfo almejado: o trono. R.III dá-nos, ironicamente, a possibilidade de mergulhar nas nossas consciências individuais e ver no nosso interior a presença da sede de poder, o Ricardo III que há em nós."
by Paulo Calatré
"Uma comédia negra de traços grotescos e bizarros que anda de braço dado com o musical . Uma mistura explosiva que torna este espectáculo apto para quase todo o tipo de públicos, (desaconselhando-se desde já a pessoas que sofram de ideias feitas e achem que os clássicos são invioláveis), R. III trata da permanente disputa do poder a qualquer preço e a falta de escrúpulos para a conquista e manutenção dele. O protagonista, impedido pela sua deformidade de usufruir dos prazeres da conquista amorosa, planeia chegar ao poder mesmo sendo dos últimos na linha sucessória. Para alcançar o seu objectivo, utiliza vários estratagemas: conspira, manipula, explora, agrega apoios, promove alianças por conveniências momentâneas, cria adesões e coligações, persegue e condena à morte os opositores. Movido pela sede de poder Ricardo III articula-se nas sombras, até alcançar o triunfo almejado: o trono. R.III dá-nos, ironicamente, a possibilidade de mergulhar nas nossas consciências individuais e ver no nosso interior a presença da sede de poder, o Ricardo III que há em nós."
by Paulo Calatré
10/01/2007
Os caminhos donde venho...
Caríssimos, tenho andado afastado destas lides bloguistas, eu sei. Não é que não vos ame e tudo tenha acabado, não! Nutro o mesmo sentimento por vós agora como no dia em que vos conheci. A verdade é que há outro e precisei de um tempo... Chama-se Ricardo e na sua familia é o terceiro. É de sangue nobre, mas um pouquito mal intencioado. Mas como o meu coração é de todos vós, partilharei o Ricardo III ( R.III para os mais íntimos ) convosco de 26 de Janeiro a 4 de Fevereiro no Teatro Helena Sá e Costa. O sempre vosso!
04/01/2007
Viagens
A caminho de casa, quem viaja de transportes públicos experimenta as mais variadas sensações. Quem, como eu, sai da lata de sardinhas que é o metro de Lisboa à hora de ponta, para o comboio da ponte, passa do desesperado e impotente aperto contra desconhecidos para o conforto de um lugar almofadado ao som de música clássica que vale noventa eurinhos mensais – sim, que ouvir Chopin fica caro!
É talvez esse conforto, equivalente a desabotoar as calças depois de um almoço fausto, que permite, justifico eu, determinadas veleidades a alguns utentes. Acontece, não raras vezes, passar vários minutos no metro encurralado entre cinco fartas senhoras de idade avançada – que o estereótipo obriga a conversa fiada – sem ouvir vivalma… Já no comboio não sucede o mesmo.
Quantas vezes não nos sentamos lado a lado com um casal a discutir… Vai ela “hás-de cá vir mais vezes seu estúpido”, vai ele “se eu não for não vai mais ninguém!”, vou eu “será que já passámos o Fogueteiro? Pareceu-me mesmo que… se calhar não…”… Ou, então, a uns lugares do tipo engravatado que fala ruidosamente ao telefone com a irmã, dizendo “então, não pagas a viagem ao teu mano até ao Alentejo?”, rindo-se para os colegas do lado, e apontando para o telemóvel a dizer “é cheia dele, até incomoda!”.
Hoje, enquanto folheava o sugestivo livro que me foi oferecido no natal pelo meu encenador – “Eu escrevo peças de teatro – Guia prático da escrita criativa” – não pude deixar de ouvir o monólogo enervado de um rapaz de vinte e poucos anos, bem vestido, aprumado, magro e alto. Nem eu deixei de o ouvir, nem as outras dez carruagens, tal era o volume da sua voz! À sua frente sentava-se uma rapariga que assentia a tudo o que ele dizia tentando evitar falar, para que as atenções dos outros passageiros não se centrassem em si.
Começou o irado orador com um “A mim eles não me apanham outra vez! Sempre que vamos todos jantar é a mesma coisa! Parecem crianças! Estou farto, farto disto!”
Conseguiu a minha atenção. Gesticulava e empunhava o indicador à frente da cara da pobre rapariga enquanto se queixava “deles”.
“Não achas que foram muito longe desta vez?” … “Ah, tás a ter a mesma reacção da Carla quando lhe contei isto!” O que a rapariga disse não ouvi, certamente pela normalidade do seu tom de voz e consciência de que estava em público.
“Não vou a mais nenhum jantar. Hoje passei pelo Diogo e não o cumprimentei. Ele percebeu”.
Questionava-me o que teriam feito ao rapaz, quando, de repente, soltou a palavra mágica que fez cair a agulha de croché da senhora, acordar o velhote e separar os lábios dos adolescentes:
“Laxante! É ir longe demais, laxante!”
O rapaz parecia-me agora mais amarelo.
“Laxante num refrigerante! Eles não sabem que não devem, em primeiro lugar dar assim laxante a alguém, e depois que o laxante não se põe em refrigerantes?”
O rapaz parecia-me agora mais magro, faces mais chupadas para dentro.
“Não imaginas o que aquilo me fez! Nunca tinha estado assim!”
Podia jurar que lhe vi gotículas de suor nas têmporas.
“E não foi pouco, foi praí meio frasco!”
Por esta altura já eu procurava câmaras nos sítios mais recônditos e auscultadores escondidos.
“Agora imagina que me tinha actuado quando estava aqui no comboio!”
E esta foi a única altura que o rapaz brincou com a situação…
“Ainda tinha alguém de vir comigo para eu conseguir, quero dizer, tás a… eheheh…”
Fechei a boca e cocei a cabeça. Troquei olhares cúmplices com alguns passageiros.
“Porque é que sou sempre eu a levar com isto? Explicas-me?”
Não sei o que ela disse, mas sei que quem conta a um comboio inteiro que foi envenenado com meio frasco de laxante e diz não saber porquê, merecia levar com um frasco de laxante inteiro. Com coca-cola!
É talvez esse conforto, equivalente a desabotoar as calças depois de um almoço fausto, que permite, justifico eu, determinadas veleidades a alguns utentes. Acontece, não raras vezes, passar vários minutos no metro encurralado entre cinco fartas senhoras de idade avançada – que o estereótipo obriga a conversa fiada – sem ouvir vivalma… Já no comboio não sucede o mesmo.
Quantas vezes não nos sentamos lado a lado com um casal a discutir… Vai ela “hás-de cá vir mais vezes seu estúpido”, vai ele “se eu não for não vai mais ninguém!”, vou eu “será que já passámos o Fogueteiro? Pareceu-me mesmo que… se calhar não…”… Ou, então, a uns lugares do tipo engravatado que fala ruidosamente ao telefone com a irmã, dizendo “então, não pagas a viagem ao teu mano até ao Alentejo?”, rindo-se para os colegas do lado, e apontando para o telemóvel a dizer “é cheia dele, até incomoda!”.
Hoje, enquanto folheava o sugestivo livro que me foi oferecido no natal pelo meu encenador – “Eu escrevo peças de teatro – Guia prático da escrita criativa” – não pude deixar de ouvir o monólogo enervado de um rapaz de vinte e poucos anos, bem vestido, aprumado, magro e alto. Nem eu deixei de o ouvir, nem as outras dez carruagens, tal era o volume da sua voz! À sua frente sentava-se uma rapariga que assentia a tudo o que ele dizia tentando evitar falar, para que as atenções dos outros passageiros não se centrassem em si.
Começou o irado orador com um “A mim eles não me apanham outra vez! Sempre que vamos todos jantar é a mesma coisa! Parecem crianças! Estou farto, farto disto!”
Conseguiu a minha atenção. Gesticulava e empunhava o indicador à frente da cara da pobre rapariga enquanto se queixava “deles”.
“Não achas que foram muito longe desta vez?” … “Ah, tás a ter a mesma reacção da Carla quando lhe contei isto!” O que a rapariga disse não ouvi, certamente pela normalidade do seu tom de voz e consciência de que estava em público.
“Não vou a mais nenhum jantar. Hoje passei pelo Diogo e não o cumprimentei. Ele percebeu”.
Questionava-me o que teriam feito ao rapaz, quando, de repente, soltou a palavra mágica que fez cair a agulha de croché da senhora, acordar o velhote e separar os lábios dos adolescentes:
“Laxante! É ir longe demais, laxante!”
O rapaz parecia-me agora mais amarelo.
“Laxante num refrigerante! Eles não sabem que não devem, em primeiro lugar dar assim laxante a alguém, e depois que o laxante não se põe em refrigerantes?”
O rapaz parecia-me agora mais magro, faces mais chupadas para dentro.
“Não imaginas o que aquilo me fez! Nunca tinha estado assim!”
Podia jurar que lhe vi gotículas de suor nas têmporas.
“E não foi pouco, foi praí meio frasco!”
Por esta altura já eu procurava câmaras nos sítios mais recônditos e auscultadores escondidos.
“Agora imagina que me tinha actuado quando estava aqui no comboio!”
E esta foi a única altura que o rapaz brincou com a situação…
“Ainda tinha alguém de vir comigo para eu conseguir, quero dizer, tás a… eheheh…”
Fechei a boca e cocei a cabeça. Troquei olhares cúmplices com alguns passageiros.
“Porque é que sou sempre eu a levar com isto? Explicas-me?”
Não sei o que ela disse, mas sei que quem conta a um comboio inteiro que foi envenenado com meio frasco de laxante e diz não saber porquê, merecia levar com um frasco de laxante inteiro. Com coca-cola!
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