jornal O Público no norte.
30/12/2006
24/12/2006
Um Conto de Natal

Era a madrugada da véspera de Natal. Seis horas e trinta e seis minutos do dia 24 de Dezembro de 2006. No primeiro canal da televisão nacional começava mais um programa dedicado à pequenada nacional. Num estúdio profusamente colorido e habitado por diversas crianças da mais tenra idade começava a animação. Uma mãe natal vestida a rigor e de nome Nikita, acompanhada por duas lindas gnomas vestidinhas com camisolinhas de lycra justa, cantava uma linda canção cadenciada pelo abanar ritmado dos seus corpos:
- “Não és homem não és nada
Não cumpriste o prometido”
Infelizmente não fixei para a posteridade o resto da edificante letra tão apropriada para crianças de infantários.
Mas encontrei uma linda sinopse do programa.
“Sem perder de vista a importância da linguagem no universo infantil, o BRINCAR A BRINCAR explora de forma divertida temas relacionados com a cultura e a língua portuguesa, assim como assuntos relacionados com as Comunidade Portuguesa espalhada nos "quatro cantos" do planeta.” in http://www.rtp.pt/
Adorei principalmente a linguagem infantil do refrão
“Não és homem não és nada
Não cumpriste o prometido”
Feliz natal!
- Compraste o vinho?
- Que vinho?
- Não me digas que te esqueceste de novo do vinho!?
- Não. Estava a brincar. Está ali, na saca de papelão em cima da mesa da cozinha. E tu? Tu cozinhaste o quê para este ano?
- Este ano o bacalhau estava muito caro, por isso comprei pescada. Faz o mesmo efeito, disse-me a moça do super-mercado. Basta aquecer o azeite, cebola, alho e loureiro, e ninguém nota a diferença.
- Ou seja, eu não noto a diferença! Não está cá mais ninguém… Esqueces-te que o dinheiro é meu? Eu pedi-te bacalhau!
- Desses-me mais dinheiro. Não chegava, que queres… Vou pôr música. Gostas desta?
- Sim, gosto. Senta-te aqui.
- Queres que te sirva?
- Por favor, mas serve-te a ti primeiro. Vinho?
- Sim.
- Está óptimo.
- O peixe?
- Tudo! Está tudo óptimo. Quando era mais novo não havia leitores de CD. Mas o ambiente era o mesmo…
- Eu também não o teria, não fosse tu teres-mo dado.
- …o ambiente era o mesmo. Calor, companhia, comida e a certeza de que em todas as outras casas os outros estão a fazer precisamente o mesmo que nós. Acho que aí reside o maior conforto do natal. Saber que não estamos sozinhos no momento. Que mais do que a partilha entre as pessoas com quem se ceia, existe a comunhão geral de estados de espírito. A comida é sempre boa…
- Se não fosses tu a pagá-la, não seria.
- Mas é. Em minha casa também era. Sabes que a minha mãe costumava espalhar frutas secas pela mesa. Na altura comíamos pinhões com o pão e o bacalhau!
- Também temos ali pinhões, como pediste.
- Sim, adoro pinhões. Vais-mos buscar, por favor?
- Claro!
- Obrigado. Esta época significa muito para mim, sabes…
- Pois, deve significar! O dinheiro que gastas com ela… A mim já me disse mais. Trabalhar na véspera e no dia de natal retira-lhe grande parte do significado.
- Porque é que trabalhas?
- Meu querido, se não trabalhasse não estaríamos aqui descansadinhos a cear.
- Tens razão. A vida está difícil. E as recordações? Tens as recordações, não? Eu tenho-as.
- Vives delas. Eu não consigo. Rabanadas?
- Sim, por favor.
- Não consigo esquecer o dia-a-dia. Não consigo usar máscaras.
- Mas tens de tentar! É natal!
- É difícil…
- Pensei que tínhamos um acordo! És todos os anos a mesma coisa! Este é o terceiro natal que passamos juntos e acaba sempre contigo a lamentares-te!
- Olha, se não queres passar o natal comigo há mais quem queira!
- Desculpa. Fui impulsivo... Eu… Passas sempre o natal comigo, certo?
- Se não fores parvo, passo.
- Está bem, desculpa.
- É meia-noite! Comprei-te uma prenda. Pega. Espero que gostes.
- Compraste-me uma prenda? Nunca tinhas feito isso!
- Foi com o dinheiro que me deste para as compras. Sobrou algum e pronto, comprei.
- Obrigado! Também te comprei isto… Não é muito mas…
- Oh, não era necessário… É lindo, obrigado. E o…
- Está no envelope, junto à lareira.
- 250?
- Como combinado. Agora vou-me, obrigado pela ceia. Para o ano posso voltar, certo?
- Claro tonto. És o meu cliente preferido. O dia 24 de Dezembro é sempre teu.
- Que vinho?
- Não me digas que te esqueceste de novo do vinho!?
- Não. Estava a brincar. Está ali, na saca de papelão em cima da mesa da cozinha. E tu? Tu cozinhaste o quê para este ano?
- Este ano o bacalhau estava muito caro, por isso comprei pescada. Faz o mesmo efeito, disse-me a moça do super-mercado. Basta aquecer o azeite, cebola, alho e loureiro, e ninguém nota a diferença.
- Ou seja, eu não noto a diferença! Não está cá mais ninguém… Esqueces-te que o dinheiro é meu? Eu pedi-te bacalhau!
- Desses-me mais dinheiro. Não chegava, que queres… Vou pôr música. Gostas desta?
- Sim, gosto. Senta-te aqui.
- Queres que te sirva?
- Por favor, mas serve-te a ti primeiro. Vinho?
- Sim.
- Está óptimo.
- O peixe?
- Tudo! Está tudo óptimo. Quando era mais novo não havia leitores de CD. Mas o ambiente era o mesmo…
- Eu também não o teria, não fosse tu teres-mo dado.
- …o ambiente era o mesmo. Calor, companhia, comida e a certeza de que em todas as outras casas os outros estão a fazer precisamente o mesmo que nós. Acho que aí reside o maior conforto do natal. Saber que não estamos sozinhos no momento. Que mais do que a partilha entre as pessoas com quem se ceia, existe a comunhão geral de estados de espírito. A comida é sempre boa…
- Se não fosses tu a pagá-la, não seria.
- Mas é. Em minha casa também era. Sabes que a minha mãe costumava espalhar frutas secas pela mesa. Na altura comíamos pinhões com o pão e o bacalhau!
- Também temos ali pinhões, como pediste.
- Sim, adoro pinhões. Vais-mos buscar, por favor?
- Claro!
- Obrigado. Esta época significa muito para mim, sabes…
- Pois, deve significar! O dinheiro que gastas com ela… A mim já me disse mais. Trabalhar na véspera e no dia de natal retira-lhe grande parte do significado.
- Porque é que trabalhas?
- Meu querido, se não trabalhasse não estaríamos aqui descansadinhos a cear.
- Tens razão. A vida está difícil. E as recordações? Tens as recordações, não? Eu tenho-as.
- Vives delas. Eu não consigo. Rabanadas?
- Sim, por favor.
- Não consigo esquecer o dia-a-dia. Não consigo usar máscaras.
- Mas tens de tentar! É natal!
- É difícil…
- Pensei que tínhamos um acordo! És todos os anos a mesma coisa! Este é o terceiro natal que passamos juntos e acaba sempre contigo a lamentares-te!
- Olha, se não queres passar o natal comigo há mais quem queira!
- Desculpa. Fui impulsivo... Eu… Passas sempre o natal comigo, certo?
- Se não fores parvo, passo.
- Está bem, desculpa.
- É meia-noite! Comprei-te uma prenda. Pega. Espero que gostes.
- Compraste-me uma prenda? Nunca tinhas feito isso!
- Foi com o dinheiro que me deste para as compras. Sobrou algum e pronto, comprei.
- Obrigado! Também te comprei isto… Não é muito mas…
- Oh, não era necessário… É lindo, obrigado. E o…
- Está no envelope, junto à lareira.
- 250?
- Como combinado. Agora vou-me, obrigado pela ceia. Para o ano posso voltar, certo?
- Claro tonto. És o meu cliente preferido. O dia 24 de Dezembro é sempre teu.
22/12/2006
And justice for...
A Associação Sindical dos Juízes declarou que não aceita a existência de casos de violência doméstica entre casais do mesmo sexo, já que, sic, "não existe superioridade física de um membro do casal em relação ao outro".
Um Juiz terá eventualmente afirmado: “É impossível saber quem tem superioridade física sobre quem. Entre casais do mesmo sexo é fácil, é sempre o homem que domina fisicamente. Afinal, todos sabemos que ele é que dá a mocada na cabeça e arrasta a fêmea pelos cabelos para a sua caverna.”
Um Juiz terá eventualmente afirmado: “É impossível saber quem tem superioridade física sobre quem. Entre casais do mesmo sexo é fácil, é sempre o homem que domina fisicamente. Afinal, todos sabemos que ele é que dá a mocada na cabeça e arrasta a fêmea pelos cabelos para a sua caverna.”
20/12/2006
Há coisas na vida curiosas.

Em 31 de Outubro o site da câmara Municipal do Porto no seu site, preocupada com a escolha do candidato privado para gerir o Rivoli, afirmava:
“A importância e a delicadeza da matéria aconselham, prudentemente, que a decisão final seja adiada por mais algum tempo, nomeadamente por se aguardar ainda um parecer técnico que a Câmara decidiu solicitar a uma entidade externa, para melhor consolidar a sua escolha no que respeita à vertente da viabilidade económica das propostas em apreço”
No mesmo documento identificava a empresa Bastidores - Produções Artísticas, Ldª como uma das candidatas.
Afinal parece que a dita empresa, e que foi anunciada como ganhadora do concurso deve ao fisco 25 mil euros. Se calhar a viabilidade económica não implica o pagamento de impostos. Ou terá sido por isso que a Universidade do Porto não chegou a dar o parecer pedido?
Talvez por isso o site da câmara em notícia de 16 Dezembro já afirma que quem concorreu foi a parelha Bastidores/Produções La Féria.
Mas afinal, segundo La Féria quem concorreu não foi a Bastidores mas sim uma outra empresa a criar, uma fresquinha e sem dividas calculo eu.
Como é bom ter um presidente da Câmara que prima pela transparência das decisões e pela sua capacidade de, aos poucos, nos ir explicando o que anda a fazer. É bom, até porque somos todos burros e a verdade, toda de uma vez, era confusão a mais para as nossas tontas cabecinhas.
Será que no fim o Rivoli vai acabar entregue ao Tio Patinhas?
19/12/2006
CONTA CORRENTE

"Conta Corrente é um demostrativo das transações financeiras realizadas entre dois correspondentes e que serve para confrontar as diversas operações monetárias e/ou comerciais efetuadas dentro de um determinado período. Uma conta corrente pode ser de dois tipos: com ou sem juros."
in Wikipedia
Texto: Ricardo Alves e Salgueirinho Maia
Encenação:Ricardo Alves
Interpretação: Ivo Bastos e Rodrigo Santos
Tertúlia Castelense dias 22,23 e 29 Dez às 22h30
Teatro Municipal da Guarda dia 28 Dez às 22h30
15/12/2006
Excerto de Canção das Embrulhadeiras
Porque ainda há contos portugueses actuais que merecem ser lidos, porque estamos no natal e porque o Expresso nos tem dado belas histórias de natal de grandes autores, Luísa Costa Gomes:
"...Têm reservas incríveis de energia, são quase sobre-humanas. Vinte horas a embrulhar pacotes, sorrindo! Uma delas já vai em 36 horas! Sorrindo! Quarenta horas, as embrulhadeiras chegam ao limite! Tentam ainda, extenuadas, entreolham-se para avaliar se excederam o trabalho das companheiras, mas desmaiam embrulhadeiras, caem ao chão, levam consigo na derrocada os presentes (por embeulhar!)... A fila não anda, há protestos dos clientes, «então esse embrulho, não sai?» As que caem são recolhidas para os fundos das lojas. Logo substituídas por outras, sorrindo"
Todas as semanas, na Actual.
"...Têm reservas incríveis de energia, são quase sobre-humanas. Vinte horas a embrulhar pacotes, sorrindo! Uma delas já vai em 36 horas! Sorrindo! Quarenta horas, as embrulhadeiras chegam ao limite! Tentam ainda, extenuadas, entreolham-se para avaliar se excederam o trabalho das companheiras, mas desmaiam embrulhadeiras, caem ao chão, levam consigo na derrocada os presentes (por embeulhar!)... A fila não anda, há protestos dos clientes, «então esse embrulho, não sai?» As que caem são recolhidas para os fundos das lojas. Logo substituídas por outras, sorrindo"
Todas as semanas, na Actual.
14/12/2006
CUUUURIOOOOSO!!!
Em 2005 La Féria recebeu um subsídio da Câmara Municipal do Porto (que para quem não os quer dar, este foi bem avultado) para realizar obras (as quais ninguém viu) no Teatro Sá da Bandeira (um espaço não camarário) para que este tivesse “condições para recebe a sua produção “Rainha do Ferro Velho” (o Rio e a mania dos calhambeques) e em 2006 tem em mãos a possibilidade de gerir privadamente o Rivoli teatro MUNICIPAL! Curioso!
Isto é um velho namoro ou um grande caldinho?
Isto é um velho namoro ou um grande caldinho?
13/12/2006
10/12/2006
09/12/2006
Lapónia Stories
Um gajo sabe que está na Lapónia quando, ao passar em frente da casa daquele velhinho barbudo e simpático, vê uma tabuleta a dizer: "Fazemos Serviços ao Domicílio!"
05/12/2006
Lisbon Stories
Um gajo sabe que tem de estar em Lisboa quando, em 6 jogos da Liga dos Campeões comprados pela televisão pública, 5 são repartidos entre Sporting e Benfica e apenas 1 sobra para o Porto, um dos últimos campeões europeus e actual campeão nacional.
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