Embalado pelo feriado reuni finalmente coragem de me atirar ao ponto 6 das “LINHAS DE ORIENTAÇÃO DO MODELO DE FUNCIONAMENTO DO TEATRO MUNICIPAL DO PORTO”. E a primeira conclusão é que Agosto tem pouco feriados, precisava de outro já de seguida.
Será que alguém já os avisou que no Porto há duas escolas superiores e duas técnicoprofissionais de teatro? Para que raio é que nós agora vamos ter que dar formação na área de teatro?
O ponto 6 obriga a entidade que fique com a gestão do Rivoli “a criar e manter as estruturas que considere necessárias para promover (...) ensino e formação de uma ou mais artes performativas”, com o objectivo de realizar com eles espectáculos e para “conferir e garantir a tais alunos a formação necessária para a sua integração progressiva nos espectáculos organizados no âmbito do protocolo.”
Será que um curso de “Sorri, maneia a coxa, abana o peito e sorri. Sorri sempre” é suficiente?
Este ponto 6 parece-me que cria alguns factores de discriminação entre eventuais candidatos. Imaginemos um candidato que se propõem apresentar somente dança contemporânea e outra que seja uma orquestra filarmónica. É muito mais barato ensinar um miúdo a espojar-se no chão fora do ritmo do que ensinar alguém a tocar tuba. Será isto justo?
E em relação ao espaço? Irá a Câmara Municipal entregar ao privado o último andar do Rivoli onde está actualmente a área administrativa da Culturporto? Senão onde é que se colocam as salas de aulas?
Isto leva-me a duas possibilidades. Ou tudo isto se trata de um chorrilho de disparates ingénuos inventados por quem não tem que fazer e que resolveu elaborar um documento politicamente correcto sem sustentação lógica mas que poderia calar as vozes criticas ou pelo contrário há uma intenção mais elevada que a minha mesquinhez não me permite alcançar.
Centremo-nos na possibilidade mais realista: o chorrilho de disparates ingénuos. Estava a brincar. Vamos à minha mesquinhez.
Será que alguém já os avisou que no Porto há duas escolas superiores e duas técnicoprofissionais de teatro? Para que raio é que nós agora vamos ter que dar formação na área de teatro?
O ponto 6 obriga a entidade que fique com a gestão do Rivoli “a criar e manter as estruturas que considere necessárias para promover (...) ensino e formação de uma ou mais artes performativas”, com o objectivo de realizar com eles espectáculos e para “conferir e garantir a tais alunos a formação necessária para a sua integração progressiva nos espectáculos organizados no âmbito do protocolo.”
Será que um curso de “Sorri, maneia a coxa, abana o peito e sorri. Sorri sempre” é suficiente?
Este ponto 6 parece-me que cria alguns factores de discriminação entre eventuais candidatos. Imaginemos um candidato que se propõem apresentar somente dança contemporânea e outra que seja uma orquestra filarmónica. É muito mais barato ensinar um miúdo a espojar-se no chão fora do ritmo do que ensinar alguém a tocar tuba. Será isto justo?
E em relação ao espaço? Irá a Câmara Municipal entregar ao privado o último andar do Rivoli onde está actualmente a área administrativa da Culturporto? Senão onde é que se colocam as salas de aulas?
Isto leva-me a duas possibilidades. Ou tudo isto se trata de um chorrilho de disparates ingénuos inventados por quem não tem que fazer e que resolveu elaborar um documento politicamente correcto sem sustentação lógica mas que poderia calar as vozes criticas ou pelo contrário há uma intenção mais elevada que a minha mesquinhez não me permite alcançar.
Centremo-nos na possibilidade mais realista: o chorrilho de disparates ingénuos. Estava a brincar. Vamos à minha mesquinhez.
Aliás já me farta um bocado o humor básico que se faz em Portugal, centrado em estereótipos simplistas tipo; os políticos são todos uns corruptos e os futebolistas são todos uns burros. Toda a gente sabe que nem os políticos são todos burros nem todos os futebolistas corruptos.
Deve haver aqui uma intenção mais elevada. Analisemos.
Formação é daquelas palavras simpáticas de que todos gostamos. Ter sido formado em qualquer coisa fica sempre bem num curriculum e um politico a querer investir em formação comprova sempre a sua visão politica e atesta o seu profundo desejo de um futuro colectivo melhor. Excepto claro se o senhor for um ministro a investir apenas na formação da sobrinha, nesse caso apenas atesta o profundo desejo do senhor de um futuro melhor para a sobrinha.
O investimento em formação cheira sempre a investimento público. E eu acredito que isso é verdade, se em Portugal mais gente tivesse o curso “Sorri, maneia a coxa, abana o peito e sorri. Sorri sempre” éramos todos muito mais felizes.
Quando o Sr. Dr. Rui Rio chegou à presidência uma das primeiras coisas que fez foi acabar com um projecto de ensino de teatro e dança nas escolas do Porto. Penso que agora estará a equilibrar o karma, atirando para outros o trabalho que lhe permitirá dizer que ele investiu em formação. E aqui o problema é grave. O que falta no Porto, e no país, não é a formação de actores. Aliás em nenhuma arte. O que falta é a formação de públicos e de um espaço onde os jovens possam descobrir se tem ou não gosto e apetência para as artes.
Para ter uma atleta de alta competição de atletismo Portugal tem que ter anualmente mais de meio milhão de jovens a correr, 100 mil a praticar desporto federados, 900 profissionais e então meia dúzia serão as atletas de alta competição.
Tal como na natureza é uma pirâmide. Os peixes põem milhares de ovos para aumentar a possibilidade de alguns, os melhores, sobreviverem.
E ao contrário dos peixes os que não chegam ao topo da pirâmide não se perdem, são o futuro público das provas de atletismo. Com vantagem que é público esclarecido.
Nota 1: Evidentemente inventei os números, mas acho que a ideia fica mais clara.
Nota 2: A receita da pirâmide do atletismo, como com certeza repararam, refere-se apenas à criação de atletas femininas, para fazer um atleta de alta competição e muito mais prático e económico dar a nacionalidade a um já feito.
E se o trabalho de sapa que era feito pelo projector de teatro e dança nas escolas tinha a grande vantagem de criar públicos, não vejo qual é a vantagem da futura entidade que venha a gerir o Rivoli organize uns cursinhos de “de uma ou mais artes performativas”.
Volto à primeira possibilidade: um chorrilho de disparates ingénuos, só que reformulo: não são disparates ingénuos. São mais perigosos.





