30/05/2006


PALMILHA DENTADA apresenta:

“O Manifesto da Amélia”
1 de Junho – Quinta
2 de Junho – Sexta
23h00min
Tertúlia Castelense


É obrigação da arte dar voz a quem não a tem. Aos sussurros que, mais do que ouvir, adivinhamos nas escuridões que habitam as catacumbas da nossa sociedade. Há uma vasta maioria silenciosa que, quando fala, fala baixo. Fala comedida e não é escutada. E nós dizemos: “Basta!”. Vamos dar voz à voz dos silêncios! Eles estavam renitentes... Mas nós obrigámo-los a falar! Rumsfeld teria orgulho em nós!

Textos: Ricardo Alves, Salgueirinho Maia e Rodrigo Santos
Encenação: Ricardo Alves
Interpretação: Ivo Bastos e Rodrigo Santos
Direcção Musical: Rodrigo Santos
Adereços e Figurinos: Ricardo Alves e Sandra Neves
Video e Operação Técnica: Dário Pais
Contra-Regra e assistêcia de palco: Verónica Rodrigues


info@palmilhadentada.com

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A Amélia agradece a: Teatro Art'Imagem, Rivoli, Culturporto, Sola do Sapato e Isabel Abreu

24/05/2006

A vantagem de ser António.

Para um, sair de casa era simples: Mão na maçaneta, meia volta rodada, pé de fora da soleira e o batente fazia o eco...Pumba!
Para o outro era tudo igual.
Para um, andar na rua era fácil: Lábios rasgados até às orelhas, peso em controlo com o baile dos braços, Caminho à direita pra não se esbarrar e olá ao vizinho atirado p'lo ar...Pumba!
Para o outro, tudo era papel químico.
Um acordou de manhã, com a cabeça a ribombar; de tarde chorou de saudade e à noite atirou-se ao mar...Pumba!
O outro continuou na mesma.

Um chamava-se António.
O outro não sabia do nome.

Grandes amigos

"Portugal vai mandar a GNR para Timor", do Jornal da Tarde na RTP
Ai quer dizer, eles já não tinham problemas de sobra?

22/05/2006

Blablablabla

O grande problema de Carrilho não é estar a fingir que a fraca qualidade do jornalismo português o derrotou. O grande problema de Carrilho é estar a fingir que ter-se deixado surpreender pela fraca qualidade do jornalismo português o derrotou.
Sei que devia estar a cultivar-me de alguma forma nos meus tempos livres, mas não resisto a junk-T.V.! Vou ver o debate!

18/05/2006

Tourada não é arte nem cultura, tourada é tortura!

Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura". A violência é a negação da inteligência.Uma sociedade justa não pode admitir actos eticamente reprováveis (mesmo que se sustentem na tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais.

O sofrimento dos animais começa quando os touros – principais vítimas desta actividade (além dos cavalos e das vacas, assim como dos novilhos, quando são usados ainda enquanto bebés e jovens) –, depois de terem já perdido cerca de 10% do seu peso na viagem da ganadaria (onde são criados e onde estão habituados a uma vida tranquila) para a praça de touros, devido ao stress, são mantidos nos curros, até à hora de entrarem na arena, onde a angústia e o medo são crescentes. Junta-se a isto o sofrimento físico, que aqui começa, não só porque os animais são conduzidos com aguilhões e à paulada, mas também porque, entre outros métodos de preparação, são-lhes serrados os chifres a sangue frio para serem embolados (nas touradas portuguesas, os touros não têm sequer os seus chifres inteiros e expostos, para terem uma oportunidade mínima de se defenderem).


Não é de admirar portanto, que mesmo em plástico, alguns animais sejam mais inteligentes do que o ser humano e pela altura da reabertura do Matadouro do Campo Pequeno se tenham posto a milhas. É verdade! A Cowpyright fez as malinhas e desapareceu das ruas de Lisboa onde participava na famigerada Parade. O que é certo, é que nem algumas destas vaquinhas( e estas sim são arte e cultura) escaparam ao vandalismo bacoco de meia dúzia de "iluminados". Por certo que umas vacas coloridas no meio do passeio lhes faria uma certa confusão e vai daí...Pimba! Que é algo em que "nós" somos peritos! Vá saiam à rua e deliciem-se com a arte pintada nestes modelitos, mas não deixem que ponham os verdadeiros Knocowt!

14/05/2006

A Flatulência

Caríssimos leitores,
É ainda com espanto que escrevo este post.
O caso Jacinto vs fruta teve ontem um desfecho no mínimo insólito!
Jacinto sozinho provou a sua absoluta inocência, num golpe de génio capaz de envergonhar qualquer advogado e Juíz. Passo a descrever sucintamente:
Jacinto chega á sala de audiências com um pacote suspeito. Abre-o perante o Juíz e retira do pacote três peças de fruta. Come-as. O silêncio na sala é absoluto!

O ar de desafio de Jacinto após ter comido a fruta.


O sinal de que algo iria acontecer.


O soltar do prisioneiro...


A expressão de Jacinto após o momento que prova a sua inocência. Ele próprio não esperava que fosse tão esclarecedor...


Expressão de espectador atento...

E assim foi caros leitores!
Infelizmente as fotografias são incapazes de transmitir o som e o estremecer da sala.
O advogado de acusação promete recorrer dizendo que Jacinto foi autor de um atentado terrorista ao mais alto nível.
O advogado de Jacinto tranquilizou-o dizendo que quando muito Jacinto será responsabilizado pela fenda aberta no tecto que coloca em causa a integridade do edifício...
Jacinto livrou-se da fruta que o atormentava, caros leitores...Parabéns Jacinto!


10/05/2006




PALMILHA DENTADA apresenta:


“O Manifesto da Amélia”

11 Maio – Quinta
12 Maio – Sexta

É obrigação da arte dar voz a quem não a tem. Aos sussurros que, mais do que ouvir, adivinhamos nas escuridões que habitam as catacumbas da nossa sociedade. Há uma vasta maioria silenciosa que, quando fala, fala baixo. Fala comedida e não é escutada. E nós dizemos: “Basta!”. Vamos dar voz à voz dos silêncios! Eles estavam renitentes? Mas nós obrigámo-los a falar. Rumsfeld teria orgulho em nós!

Textos: Ricardo Alves, Salgueirinho Maia e Rodrigo Santos
Encenação: Ricardo Alves
Direcção Musical: Rodrigo Santos
Adereços e Figurinos: Ricardo Alves e Sandra Neves
Video e Operação Técnica: Dário Pais
Interpretação: Ivo Bastos e Rodrigo Santos

info@palmilhadentada.com

08/05/2006

Comentário

Uma Professora, nos E.U.A., foi despedida da Escola onde leccionava, por decisão conjunta do Conselho Directivo e da Associação de pais. Ao que parece, a referida senhora tinha participado em filmes pornográficos (!) 10 anos antes de ingressar nos quadros da escola, o que, obviamente, foi tido como ofensivo da moral e bons costumes que se pretende incutir nas criancinhas americanas. Este exemplo de além-mar não demonstra apenas uma brilhante concepção de educação por parte dos nossos aliados, como reforça ainda a coerência do povo da liberdade no que aos valores morais essenciais concerne. Senão vejamos: não foi um presidente deles (democrata, obviamente) quase linchado publicamente por adultério? Não terá essa inqualificável cedência ao Imoral custado uma eleição de um candidato democrata? Igualdade de classes, meus amigos! Terra das oportunidades por excelência! A sorte desse presidente é não existirem registos áudio/vídeo do deboche, senão também teria vindo para a rua, tal foi a zombaria do cargo que ocupou!
Mas os ensinamentos deste caso exemplar não ficam por aqui. Também nos direitos laborais estamos atrasados em relação aos E.U.A.. Alguma vez no nosso país uma coisa destas daria causa a despedimento sem mais? Claro que não! Aqui a entidade patronal, para preservar a moralidade pública, teria sérias dificuldades em despedir a leviana docente.
Haja decência para que haja docência!

07/05/2006

Alforreca?? Eu??

Um dos encontros imediatos a que está sujeito qualquer banhista das mais ocidentais praias da Europa é com a alforreca ou medusa, espécies que, em contacto com a pele humana, produzem sensações urticantes.As alforrecas têm uma estrutura campaniforme, na base da qual se encontram diversos tentáculos. Das espécies que aparecem na nossa costa a mais perigosa é provavelmente a Pelagia Noctilua (nome elegante para uma alforreca), de cor rósea ou avermelhada, que emite luminesência quando incomodada.Do contacto com as poucas espécies urticantes das praias portuguesas resultam dor a inchaço locais e, por vezes, cãibras musculares. 0 quadro clínico destes contactos imediatos é bastante benigno a as sensações estranhas de comichão podem desaparecer pouco tempo depois.
Primeiros socorros? Em primeiro lugar, recomenda-se aos banhistas que não entrem em pânico nesta situação, pois o afogamento por causa de uma simples alforreca não tem muito sentido.0 passo seguinte é o tratamento. Deve lavar-se muito bem a zona afectada com água corrente a aplicar em seguida uma pomada anti-inflamatória. Nos casos mais graves, quando ficam alguns tentáculos agarrados à pele, deve começar-se por retirá-los, aplicando de seguida talco, bicarbonato de sódio ou mesmo creme de barbear na zona afectada.A forma mais segura de não ser atingido por estas sensações urticantes provenientes dos contactos com as alforrecas é resistir à tentação de pegar nelas, seduzido pela sua apetecível textura gelatinosa. Também não se deve agarrar nelas directamente com as mãos, para as remover da areia. E muito menos lançá-las para longe, pois muitas vezes é ao fazer isso que os banhistas são atingidos..
Agora já sabe o que fazer se de repente uma alforreca entrar na sua vida. Quanto a mim... Eu não sou uma alforreca!!

03/05/2006

A Broa Da Vinci – Parte II – Altos e baixos

... Tudo se passou numa tarde de terça-feira. O dia estava tão cinzento como as páginas do jornal velho que folheei pela manhã entre o trago de um café e um charuto. Na rua tudo igual... A mesma azáfama de sempre numa manhã de emprego. Também eu me dirigia ao meu escritório poeirento de rua da baixa da cidade quando, de repente, algo se intrometeu no meu caminho! Era um parquímetro... e doeu. Tentei recompor-me com um sorriso de orelha a orelha enquanto me levantava, endireitei o chapéu, sacudi a gabardina e prossegui.
Por esses dias andava um farrapo daquilo que já tinha sido. Não ver parquímetros é mal menor quando comparado com meias trocadas, sapatos rotos e gravatas sujas com mostarda de cachorro. Estava tão em baixo que num dia qualquer da semana anterior me apanhei a sorrir de satisfação quando ouvi o homem do trânsito, daqueles que, na rádio, nos dizem por onde ir ou por onde não ir, a aconselhar os ouvintes a fugirem da confusão pela estrada onde eu seguia. Fiquei feliz, não porque tenha acertado na estrada com menos trânsito, mas por ter sido lembrado por um desconhecido que existia uma estrada onde eu estava.
Cheguei ao escritório e atirei o chapéu para cima da mesa onde outrora esteve sentada a minha secretária, a Clara. Chamava-lhe Claire. Ela não gostava. Foi embora movida por um mal entendido nunca desfeito: um dia tropecei no ar e tive de me segurar às suas voluptuosas ancas, enquanto ela, curvada, lia qualquer coisa na mesa. “Temos de mandar arranjar estes rodapés!”, disse eu. Tarde demais. Ainda não tinha acabado de dizer “madeira de cerejeira” quando dei por mim sem a Claire, com uma mão marcada na cara e menos uma gramas de orgulho. Convenhamos que na altura já pouco me restava.
Depois de atirar o chapéu para a mesa da saudosa Claire, fechei a porta onde se podia ler na vidraça “J s´ Engr a – P iv te y ”. Outrora leu-se “José Engrácia – Private Eye”.
Sim... Eu outrora tinha tido um nome com nível num escritório com uma secretária chamada Claire de ancas voluptuosas. Mas na altura já tinha apenas uma série desordenada de letras numa porta velha e uma marca nas costelas com a inscrição “0,30€ / 1 hora”. Tudo desmoronou em avalancha a partir do momento em que a minha mulher me deixou. Eu tinha um casamento feliz, daqueles em que há uma casinha de cerca branca com relvado pela frente e um alpendre com uma cadeira de baloiço, onde se apanha sol ao fim da tarde ou se usa para fingir que se dorme depois de mandar umas fisgadas aos putos que regressam da escola. A minha Jenny (o seu verdadeiro nome era Genoveva) por vezes também se juntava a mim nas fisgadas do crepúsculo... Estroinices de recém-casados! Parecíamos religiosos fanáticos e a nossa religião era o amor que sentíamos um pelo outro. Pode dizer-se que éramos como Judeus e Cristãos antes de Cristo: unha e carne até nascer um puto. Já não brincávamos mais no alpendre, acordávamos a meio da noite para mudar fraldas e ela não achava piada nenhuma ao nome que eu dei ao rapazinho. Chamava-lhe Billy, Lil’Billy ou simplesmente Kid. Ela ralhava comigo, dizia que era uma estupidez, que o rapaz se chamava Guilherme e que devia ser chamado por Guilherme, porque senão iria crescer no mesmo universo conturbado que eu cresci, no limbo entre realidade e ficção. Eu ri-me e soltei um “limbooooooooooo”. Ela fez as malas e saiu. Eu nunca mais fui o mesmo. Senti que uma parte importante de mim tinha sido cortada. Está bem de ver quem ficou com o papel do Judeu na história...
Nessa terça-feira, porém, tudo se comporia. Entrei no meu Gabinete, sentei-me na secretária, peguei num processo de um cão desaparecido e estiquei as pernas na secretária. De repente, bateram-me à porta...