Desenganem-se os que, por ventura, terão pensado que, mais uma vez, se repetiria o trágico desaparecimento de uma figura marcante da história Lusa.
Não será uma bola de futebol a impedir a minha marcha, nem uma bicicleta de montanha a prostar-me por terra. Parafraseando o Dr. Couto numa das suas últimas incursões em palco – um homem tem de levantar-se, sacudir a poeira e depois então continuar.
Que melhor momento poderia eu desejar para regressar às postas (tradução livre do inglês posts). Uma madrugada de neblina.
Faça-se cumprir a estória!
24 de Abril de 1974
Regimento de Infantaria nº 7.
As tropas estão preparadas, a moral está nos píncaros.
Gabinete do Capitão Fonseca, após 1ª formatura da manhã.
Fonseca folheava a grande sebenta dos estrategas portugueses.
-Meu Capitão dá licença?
-Fale Cabo Salgado.
-Meu Capitão, está lá fora o soldado Freitas. Diz que… teve uma premonição sobre a revolução!? Um sonho! Ele viu tudo vermelho meu Capitão!
-Vermelho é? –Enquanto revia algumas, das mais famosas, tácticas de combate. Capítulo IV, a táctica do quadrado. -É do sangue Salgado, é do sangue!
-Do sangue, meu Capitão?
-Oh Cabo Salgado, não está à espera de fazer uma revolução sem sangue. Haverá muitas baixas do lado do inimigo!
30/04/2006
28/04/2006
Dica

Sugestão musical: WAX TAILOR "Tales of the forgotten melodies". Primeiro álbum deste dj francês. Um hip hop recheado de elementos Old School , com uma pitada de Trip Hop. Muita classe e boas participações de The Others, entre outros. Um álbum com retroactivos que devolve as influências mais valiosas do hip hop desde o seu início. Interessem-se, porque vale a pena. Mesmo para quem não costuma ouvir o género. Abraços!
27/04/2006
A Sorte do Jacinto

Caríssimos!
Não ficaria tranquilo se não vos desse a conhecer as caras de alguns dos intervenientes do caso Jacinto vs Fruta. O primeiro é como calculam o advogado de acusação que não compreende como é possível o Jacinto não comer fruta da época. O segundo é, obviamente, o homem que tem a difícil tarefa de convencer o Juíz de que o pobre Jacinto não faz por mal...que é apenas uma questão intestinal.
Aguardam-se novos desenvolvimentos do caso que chocou os Açores e a sua comunidade de gnomos.
26/04/2006
Excerto de interrogatório judicial
M.P. – Oh Jacinto, tu não gostas de fruta?
Jacinto – Gosto.
M.P. – Porquê?
Jacinto – Porque faz bem.
M.P. – Porquê?
Jacinto – Porque tem vitaminas essenciais à saúde.
M.P. – Então comes muita fruta, não comes Jacinto?
Jacinto – Errr... Não!
M.P. – Porquê?
Jacinto – Gosto.
M.P. – Porquê?
Jacinto – Porque faz bem.
M.P. – Porquê?
Jacinto – Porque tem vitaminas essenciais à saúde.
M.P. – Então comes muita fruta, não comes Jacinto?
Jacinto – Errr... Não!
M.P. – Porquê?
Explicando o 25 de Abril aos mais jovens
AmiguinhoTrinta e dois anos já passaram sobre a revolução que libertou Portugal de uns senhores cinzentos com alguns traços tétricos.
Entre outras coisas a revolução acabou com uma guerra colonial, libertou os presos políticos e restaurou a nossa democracia, dando ao povo o poder supremo de eleger aqueles que queira para os governar. Para facilitar a vida ao povo as coisas organizaram-se em torno de uma espécie de catálogo para o povo poder escolher. Já imaginaste a confusão de ir com os papás comer uma piza e ter que escolher os ingredientes todos?
Pois é, era muito difícil, é por isso que em Portugal a vida politica é centrada nos partidos, assim o povo já sabe qual é o sabor do candidato em que vota. Antigamente apenas havia um sabor à escolha, castanha com bolor. E era um sabor muito mau, e ainda por cima era sempre o mesmo. Imagina o que era ter sempre que comer um gelado com sabor de peúga suada, não era muito bom, pois não?
Foi por isso que os militares se revoltaram e resolveram tomar o poder pela força.
E na madrugada do 25 de Abril, eles lá marcharam para a capital. Tu sabias que na altura não havia telemóveis? Pois é! Nem telemóveis, nem Internet, na altura Portugal era quase uma selva, mas com menos plantas. Por isso o militares combinaram que quando na rádio toca-se uma canção era o sinal para a revolução começar. E foi um sistema que resultou bem e não deu confusão nenhuma. Na altura não havia playlist, que são as listagens das músicas que as rádios podem tocar, dantes havia uma coisa muito pior que era a lista das músicas que as rádios não podiam tocar. Eram tempos muito maus.
Quando os militares ouviram a musica combinada começaram a revolução. E o militares chegaram a Lisboa disposto a lutar por aquilo que acreditavam. Mas nem foi preciso, quando lá chegaram o senhor que mandava disse assim:
- É o poder que vocês querem? Tomem lá o poder, eu vou para o Brasil.
E foi, já na altura os senhores que mandavam adoravam largar tudo e ir para o estrangeiro. Mas os militares eram pessoas muito ingénuas e não perceberam que ali havia marosca, e ficaram todos contentes. No princípio a coisa foi muito complicada, ninguém sabia bem o que fazer e como fazer. Mas o país vivia uma festa antecipada. Sabes quando te deitas na véspera dos teus anos a pensar no bolo que a tua mãe vai fazer para os teus amigos, era a mesma coisa. E já se sabe que no dia seguinte a porcaria do bolo é sempre um bolo de massa seca com uma cobertura de chocolate a ver se disfarça.
Mas depois a coisas melhoram, veio a Internet, o Mac donald, o canal panda e finalmente os telemóveis. E o país ficou aquilo que tu já conheces e tanto gostas.
Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado, eu volto a 10 de Junho para te explicar quem era Camões e o que são afinal as comunidades portuguesas no mundo. Para já deixo-te uma pista: Sabes aqueles senhores louros que tentam vender pentes nos semáforos, é parecido, só que ao contrario. Fica bem e beijinhos.
25/04/2006
Twilight Parlamento
O Presidente da República discursou hoje na Assembleia. Falou de justiça social, equilíbrio social, política social. E não pestanejou uma única vez ao mencionar estes termos! Nem sequer quando falou na necessidade de desconcentração da riqueza. O Governo socialista, destinatário da mensagem "menos finanças, mais ajuda social" do Presidente da República Cavaco Silva, aplaudiu de pé.
Nas restantes bancadas, Francisco Louçã terá sido visto a rezar um terço, Jerónimo de Sousa a jogar Play Station Portable e Telmo Correia terá usado óculos de sol à Janis Joplin enquanto ostentava uma T-shirt onde se podia ler "Flower Power!".
Nas restantes bancadas, Francisco Louçã terá sido visto a rezar um terço, Jerónimo de Sousa a jogar Play Station Portable e Telmo Correia terá usado óculos de sol à Janis Joplin enquanto ostentava uma T-shirt onde se podia ler "Flower Power!".
A Broa Da Vinci - Parte I
Narro-vos esta história de uma cama de Hospital de paredes brancas, de um lar de terceira idade com cheiro a alfazema e naftalina, de uma praia nas Honduras... Onde quer que cada um de vós ache mais apropriado, mais romântico, nostálgico, aventureiro, sensual... eficazmente narrativo. Sim, no fundo é isso. Eficazmente narrativo. Optei por dar-vos liberdade de escolha ab initio, já que hoje em dia é de bom tom dar liberdades e usar expressões latinas a despropósito, ou ab absurdo. Eu gostaria de estar num alpendre, numa cadeira de baloiço, com a certeza de que assim seriam o resto dos meus dias (e aí o tom da narrativa seria de velho garboso), mas vocês é que escolhem.
O meu nome é José Engrácia e tenho 60 anos. Alguns chamam-me Enfunny Joe, outros Jimbo. Eu prefiro Jimbo. Jimboooooooooooo. Sou um ex-detective privado com mais histórias de vida do que um programa de TV foleiro de dia da semana à tarde. Mas há uma delas que não posso deixar de partilhar com quem me lê. Escolhi este Blog como veículo comunicador porque me parece cretino o suficiente para que toda a gente encare a minha história como dúbia. Algures na fronteira entre a verdade em jeito de será? e a mentira em jeito de nunca seria possível. Desta forma serei um tópico debatido em fóruns por adolescentes sem mecanismos de socialização que queimam o acne com a luminosidade doentia dos monitores LCD. Assim, o que conto residirá no limiar da realidade, que a consagra como lenda. No limbo. Limboooooooooooo.
Tudo se passou numa cinzenta tarde de 3ª feira...
O meu nome é José Engrácia e tenho 60 anos. Alguns chamam-me Enfunny Joe, outros Jimbo. Eu prefiro Jimbo. Jimboooooooooooo. Sou um ex-detective privado com mais histórias de vida do que um programa de TV foleiro de dia da semana à tarde. Mas há uma delas que não posso deixar de partilhar com quem me lê. Escolhi este Blog como veículo comunicador porque me parece cretino o suficiente para que toda a gente encare a minha história como dúbia. Algures na fronteira entre a verdade em jeito de será? e a mentira em jeito de nunca seria possível. Desta forma serei um tópico debatido em fóruns por adolescentes sem mecanismos de socialização que queimam o acne com a luminosidade doentia dos monitores LCD. Assim, o que conto residirá no limiar da realidade, que a consagra como lenda. No limbo. Limboooooooooooo.
Tudo se passou numa cinzenta tarde de 3ª feira...
24/04/2006
23/04/2006
22/04/2006
Dica
21/04/2006
Penso que foi num Domingo!
Não posso precisar ao certo, penso que foi num Domingo. Lá fora tudo estava calmo, ganhei coragem e pela primeira vez saí à rua. E pela primeira vez um pensamento atravessou-me o espirito. Voltei para dentro e nunca mais lá voltei! Penso que foi num Domingo...
20/04/2006
A carreira das exéquias
Olhou para o horizonte.
Tarde. Fim de tarde. Sol de fim de tarde. E uma estrada na berma de uma barraca sem alpendre. Mas digna. E pó. Muito pó.
Um cão muito pequeno a fazer equilíbrio numa bola de basquete. Nem o lulu gira nem o nariz dói. A bola ri-se a bom rir, apesar das garras do rafeiro lhe comicharem a textura.
Mas não se ouve nada. Um vento ou outro brinca às massas frias e é tudo. As pedrinhas empurram-se umas contras as outras e outras contra o alcatrão quente.
Os carros já não passam ali. Só uma vez por ano, um autocarro muito velho, com pessoas de olheiras muito fundas, olhar muito fixo e vestes muito negras faz aquele caminho, numa ladaínha, em compasso binário muito lento. Vão ao funeral do condutor... Mas só depois de chegarem.
Esperou.
Olhou de novo.
Viu o Sol já a metade.
Pousou o ramo - o cão assustou-se, caiu da bola e percebeu que era ao contrário e por isso não tinha o nariz achatado! Chamou os lamúrios para dentro e limpou os olhos molhados, enquanto entrava na mansão de onduline...
O Sol sem a metade. A porta sem fechar bem. O lulu a tentar o contrário. A estrada sem a poeira.
Tinha sido ontem.
Tarde. Fim de tarde. Sol de fim de tarde. E uma estrada na berma de uma barraca sem alpendre. Mas digna. E pó. Muito pó.
Um cão muito pequeno a fazer equilíbrio numa bola de basquete. Nem o lulu gira nem o nariz dói. A bola ri-se a bom rir, apesar das garras do rafeiro lhe comicharem a textura.
Mas não se ouve nada. Um vento ou outro brinca às massas frias e é tudo. As pedrinhas empurram-se umas contras as outras e outras contra o alcatrão quente.
Os carros já não passam ali. Só uma vez por ano, um autocarro muito velho, com pessoas de olheiras muito fundas, olhar muito fixo e vestes muito negras faz aquele caminho, numa ladaínha, em compasso binário muito lento. Vão ao funeral do condutor... Mas só depois de chegarem.
Esperou.
Olhou de novo.
Viu o Sol já a metade.
Pousou o ramo - o cão assustou-se, caiu da bola e percebeu que era ao contrário e por isso não tinha o nariz achatado! Chamou os lamúrios para dentro e limpou os olhos molhados, enquanto entrava na mansão de onduline...
O Sol sem a metade. A porta sem fechar bem. O lulu a tentar o contrário. A estrada sem a poeira.
Tinha sido ontem.
19/04/2006
Mirtilo
Mirtilo.
Apostei nesta palavra não por ser pequena, mas porque é o que vale. E, depois disto, o interlocutor desatento poderia pensar que ela vale o seu peso em letras, mas se cada letra tivesse kilos, o i era ridiculamente flutuante, na sua matéria esguia e pedante, na presunção ostensiva que nos atira do alto do seu pontinho imbecil. Os outros animais fazem o mesmo, mas pesam menos as letras. Apostam em palavras com sons estranhos e nem sequer sabem o que é uma balança porque nunca fizeram a dieta dos discursos. Verborreiam o que lhes apetece e pousam as patas no chão quando querem dizer coisas mais finas. Portanto, aqui, fazer o mesmo é escolher. E depois atirar a escolha como uma coisa muito preciosa e que só se usa uma vez, porque depois de estar cá fora apodrece.
A dona Amélia saiu de casa pelas três da manhã e estranhou a igreja estar fechada. Mas só estranhou porque a padaria também estava de portas encontradas num trinco daqueles antigos, em que de um lado temos um ferro em pêndulo de garra na ponta e do outro lado temos um camarão em parafuso com uma arena de ar, em ferro torcido, pra receber a garra em pêndulo do ferro da outra metade. Continuou a andar. Disse:
- Oh! Oh! Oh! Também o que me deu agora pra querer levar regueifa ao altar a meio da tarde?! Oh! Oh!
O trinco não respondeu.
- Também não era pra ti! Oh! Oh!
Estava uma tarde estranha. Sem linhas de busca para nem pontos de fuga. Daqueles onde pesamos as letras em segundos vírgula milésimos. Se formos a ver bem estava uma tarde, só. O que não deixa de ser estranho porque uma tarde nunca é só uma tarde; é o chá, o sofá, o gato, a Zulmira da loja, a torrada, o Fernando Mendes, o cheiro a mofo, a fruta, a dor nas cruzes, o princípio e o fim, o comprimido das cinco, o soalho, o braço do maple no maple sem braço, o direito que se queixa porque o esquerdo tem braço no maple mas não muda canais porque somos destros e o controle remoto desfila melhor na mão da faca, a louça por lavar e o fim dos exemplos. E tudo isto está bem porque é assim. Porque não quer ser manhã.
Era só uma tarde. Nem mais uma. Ainda nem tinha chegado e já deitava contas ao tempo só para ter a certeza de não deixar fugir nada. Também, fugir pra onde? Eles nem andar podiam. Havia sempre maneira de uma das pernas se mexer e dar início à sinfonia da locomoção em compassos absurdos de damas em pé de valsa. Andar não era aquilo. Andar não era deslocar o corpo só pra ganhar tempo! E mesmo que fosse, com tanto tempo ganho em velocidades de cruzeiro, onde sobraria tempo depois pra guardar o tempo poupado a evitar tempo perdido? Andar é andar! Não tem nada a ver com o tempo. Nem com o espaço. Andar é empurrar tripas e ar um metro de cada vez, de cada vez que mexemos a carne e os ossos um metro em dada direcção. Se era assim com eles, porque não havia de ser com toda a gente? E pronto lá foram, sem pressas, dizer a toda a gente que isto até funciona se não pensarmos no tempo:
- Olhai, isto até funciona, se não pensarmos no vento!
O outro, que estava mesmo ao lado, bateu-lhe na tíbia com o calcante do controle.
- Tempo!
- No Tempo!!! O Vento até funciona se não pensarmos no Tempo!
Uma menina que estava mais à frente bateu-lhe no rádio com o controle da Tv da avó:
- Isto!
- Isto!!! Isto até funciona com vento se não pensarmos no Tempo!
A multidão, que estava na igreja, atirou-lhe com os bancos da Igreja e gritou em uníssono:
- Isto até funciona se não pensarmos no tempo!
E assim aprenderam todos, embora o Messias tivesse morrido. Sem o saber.
Um banco cravou-se no olho, outro atravessou o peito, dez caíram ao lado, quatro fizeram mais peso e dois ou três foram lanchar, porque era de tarde.
Abrir o trinco da padaria, nem foi difícil. O pior foi mesmo convencer o croissant a ser aquecido. A custo, o pasteleiro acedeu e os bancos lá comeram o bolo de massa francês regado com meias de leite muito claras. Um dos bancos, João Aveleda, era um acólito convicto. Mal acabaram o lanche, pediu prontamente o livro amarelo e quis falar directamente com o pasteleiro. Achou o serviço impróprio e muito rude e queixou-se de nem sequer os terem deixado sentar-se – isto com muita veemência! O senhor dos pastéis desdobrou-se em mil desculpas e a muito custo lá o tentou fazer entender que, sendo eles o que eram, não lhes ficava bem subjugar os seus iguais.
- Mas os seus bancos são diferentes de nós!
Vociferou João Aveleda.
O pasteleiro repensou. Parecia-lhe óbvia aquela argumentação e, mais do que isso, completamente imbatível:
- Nesse ponto tem razão. A única coisa que posso fazer é não lhes cobrar os croissants…
Depois de breve consílio, os bancos aceitaram o perdão e tudo ficou resolvido. Abraçaram o pasteleiro, sorriram durante um bocado e depois saíram todos para a Igreja, com o pasteleiro, ainda a tempo da missa das sete. Cumprimentaram o pelourinho, mas não recomendaram o croissant porque estava cozido demais. O pasteleiro não rebateu.
O pedregulho nunca achou grande piada aquilo. A estar. Só estar ali! Tinha uma coisa boa: não era muito alto, o que lhe permitia contar as pedras da calçada num ângulo de 160º. Mais era impossível, a não ser que fizesse como os lagartos da Tv, que têm olhos independentes e só voltam para casa ao fim da noite. E isto ele sabia porque passava as tardes em frente à casa da D.Amélia, cuja janela da sala deitava directamente para a praça principal. Eram 3569. As pedras. Nunca contou o granito, mas adivinhava que fosse um número aproximado.
[E que tristeza ali sozinho!
Ninguém tem pena do pelourinho?
Oh coitadinho, do pelourinho!
Há tantos dias ali sozinho!
Olhem pra ele, o nosso pelourinho!
Chorem por ele, o pelourinho!]
Lá dentro era um caos imenso! Tinha coisas a saltar como os números espalhados na praça. Mas os números contavam-se, os dias é que iam mudando! E contá-los, aos dias? Perde-se facilmente a conta aos dias porque o primeiro é o mais difícil de conter: faz-se refém no meio da testa mas escapa-se antes das zero pra voltar às zero e um. O sequestro é um círculo em torno da nossa testa e nós somos um número à volta da testa de alguém! Estamos sempre no dia um! Temos sempre tudo contado! Queremos dar tempo para ter mais tempo! Isto sem tempo não funciona! Temos de inventar outro tempo! Mesmo que o tempo não traga vento! O Vento!
[E que tristeza, ali sozinho!
Ninguém tem pena do nosso ventinho?
Oh, coitadinho do nosso ventinho!
Sempre a bufar e sempre sozinho!
Bufem com ele, o nosso ventinho!
Chorem por ele, o nosso ventinho!]
Logo a seguir, a multidão apanhou os bancos e o Messias continuou morto no adro.
- Pronto – esgrimiu a D. Amélia – assim estão satisfeitos! Mas…oh! Oh! Era preciso tanto alarido? Oh! Oh! Oh! Se ele trazia a palavra agora calou-se e finou-se pra sempre.
A multidão acusou o peso próprio das culpas infligidas. Logo se formou um grande coro e todos cantaram um salmo de retracção em ré menor, na esperança de ainda chegarem a tempo ao guichet da redenção. Ao fim ao cabo, ser exagerado é uma questão de educação quando a inibição nos afunda em silêncios. Por isso mesmo, voltaram a cantar em uníssono logo após o primeiro esforço, mas agora em volume redobrado.
Silêncio.
Repete-se a ladainha mas agora mexendo as cabeças e abrindo mais a goela.
Silêncio.
Volta-se depressa ao início e agora abana-se os outros.
Silêncio.
Prolonga-se a última letra até o rubor aparecer.
Silêncio.
Diz-se mirtilo, sem i.
Silêncio.
Deixa-se estar mais um pouco.
Silêncio.
A ver se isto assim se aguenta.
Silêncio.
Diz-se silêncio baixinho.
Silêncio.
Encara-se a medo o defunto.
Silêncio.
Pesa-se em luz o encanto.
Silêncio.
Salvou-os o sino e um pranto.
A soluçar, a D. Amélia virou costas e dançou com o caminho até casa. Triste tarde aquela! E levam-nos assim um neto por não acertar com as palavras? E agora, o chá tão frio… e as contas para pagar. E agora dizer aos senhores…e tratar de uma coisa bonita. E agora é falar por falar…sem pensar em falar por pensar. E agora a tarde é dia…sem ninguém para trazer a noite. Oh! Oh! Oh…
Apostei nesta palavra não por ser pequena, mas porque é o que vale. E, depois disto, o interlocutor desatento poderia pensar que ela vale o seu peso em letras, mas se cada letra tivesse kilos, o i era ridiculamente flutuante, na sua matéria esguia e pedante, na presunção ostensiva que nos atira do alto do seu pontinho imbecil. Os outros animais fazem o mesmo, mas pesam menos as letras. Apostam em palavras com sons estranhos e nem sequer sabem o que é uma balança porque nunca fizeram a dieta dos discursos. Verborreiam o que lhes apetece e pousam as patas no chão quando querem dizer coisas mais finas. Portanto, aqui, fazer o mesmo é escolher. E depois atirar a escolha como uma coisa muito preciosa e que só se usa uma vez, porque depois de estar cá fora apodrece.
A dona Amélia saiu de casa pelas três da manhã e estranhou a igreja estar fechada. Mas só estranhou porque a padaria também estava de portas encontradas num trinco daqueles antigos, em que de um lado temos um ferro em pêndulo de garra na ponta e do outro lado temos um camarão em parafuso com uma arena de ar, em ferro torcido, pra receber a garra em pêndulo do ferro da outra metade. Continuou a andar. Disse:
- Oh! Oh! Oh! Também o que me deu agora pra querer levar regueifa ao altar a meio da tarde?! Oh! Oh!
O trinco não respondeu.
- Também não era pra ti! Oh! Oh!
Estava uma tarde estranha. Sem linhas de busca para nem pontos de fuga. Daqueles onde pesamos as letras em segundos vírgula milésimos. Se formos a ver bem estava uma tarde, só. O que não deixa de ser estranho porque uma tarde nunca é só uma tarde; é o chá, o sofá, o gato, a Zulmira da loja, a torrada, o Fernando Mendes, o cheiro a mofo, a fruta, a dor nas cruzes, o princípio e o fim, o comprimido das cinco, o soalho, o braço do maple no maple sem braço, o direito que se queixa porque o esquerdo tem braço no maple mas não muda canais porque somos destros e o controle remoto desfila melhor na mão da faca, a louça por lavar e o fim dos exemplos. E tudo isto está bem porque é assim. Porque não quer ser manhã.
Era só uma tarde. Nem mais uma. Ainda nem tinha chegado e já deitava contas ao tempo só para ter a certeza de não deixar fugir nada. Também, fugir pra onde? Eles nem andar podiam. Havia sempre maneira de uma das pernas se mexer e dar início à sinfonia da locomoção em compassos absurdos de damas em pé de valsa. Andar não era aquilo. Andar não era deslocar o corpo só pra ganhar tempo! E mesmo que fosse, com tanto tempo ganho em velocidades de cruzeiro, onde sobraria tempo depois pra guardar o tempo poupado a evitar tempo perdido? Andar é andar! Não tem nada a ver com o tempo. Nem com o espaço. Andar é empurrar tripas e ar um metro de cada vez, de cada vez que mexemos a carne e os ossos um metro em dada direcção. Se era assim com eles, porque não havia de ser com toda a gente? E pronto lá foram, sem pressas, dizer a toda a gente que isto até funciona se não pensarmos no tempo:
- Olhai, isto até funciona, se não pensarmos no vento!
O outro, que estava mesmo ao lado, bateu-lhe na tíbia com o calcante do controle.
- Tempo!
- No Tempo!!! O Vento até funciona se não pensarmos no Tempo!
Uma menina que estava mais à frente bateu-lhe no rádio com o controle da Tv da avó:
- Isto!
- Isto!!! Isto até funciona com vento se não pensarmos no Tempo!
A multidão, que estava na igreja, atirou-lhe com os bancos da Igreja e gritou em uníssono:
- Isto até funciona se não pensarmos no tempo!
E assim aprenderam todos, embora o Messias tivesse morrido. Sem o saber.
Um banco cravou-se no olho, outro atravessou o peito, dez caíram ao lado, quatro fizeram mais peso e dois ou três foram lanchar, porque era de tarde.
Abrir o trinco da padaria, nem foi difícil. O pior foi mesmo convencer o croissant a ser aquecido. A custo, o pasteleiro acedeu e os bancos lá comeram o bolo de massa francês regado com meias de leite muito claras. Um dos bancos, João Aveleda, era um acólito convicto. Mal acabaram o lanche, pediu prontamente o livro amarelo e quis falar directamente com o pasteleiro. Achou o serviço impróprio e muito rude e queixou-se de nem sequer os terem deixado sentar-se – isto com muita veemência! O senhor dos pastéis desdobrou-se em mil desculpas e a muito custo lá o tentou fazer entender que, sendo eles o que eram, não lhes ficava bem subjugar os seus iguais.
- Mas os seus bancos são diferentes de nós!
Vociferou João Aveleda.
O pasteleiro repensou. Parecia-lhe óbvia aquela argumentação e, mais do que isso, completamente imbatível:
- Nesse ponto tem razão. A única coisa que posso fazer é não lhes cobrar os croissants…
Depois de breve consílio, os bancos aceitaram o perdão e tudo ficou resolvido. Abraçaram o pasteleiro, sorriram durante um bocado e depois saíram todos para a Igreja, com o pasteleiro, ainda a tempo da missa das sete. Cumprimentaram o pelourinho, mas não recomendaram o croissant porque estava cozido demais. O pasteleiro não rebateu.
O pedregulho nunca achou grande piada aquilo. A estar. Só estar ali! Tinha uma coisa boa: não era muito alto, o que lhe permitia contar as pedras da calçada num ângulo de 160º. Mais era impossível, a não ser que fizesse como os lagartos da Tv, que têm olhos independentes e só voltam para casa ao fim da noite. E isto ele sabia porque passava as tardes em frente à casa da D.Amélia, cuja janela da sala deitava directamente para a praça principal. Eram 3569. As pedras. Nunca contou o granito, mas adivinhava que fosse um número aproximado.
[E que tristeza ali sozinho!
Ninguém tem pena do pelourinho?
Oh coitadinho, do pelourinho!
Há tantos dias ali sozinho!
Olhem pra ele, o nosso pelourinho!
Chorem por ele, o pelourinho!]
Lá dentro era um caos imenso! Tinha coisas a saltar como os números espalhados na praça. Mas os números contavam-se, os dias é que iam mudando! E contá-los, aos dias? Perde-se facilmente a conta aos dias porque o primeiro é o mais difícil de conter: faz-se refém no meio da testa mas escapa-se antes das zero pra voltar às zero e um. O sequestro é um círculo em torno da nossa testa e nós somos um número à volta da testa de alguém! Estamos sempre no dia um! Temos sempre tudo contado! Queremos dar tempo para ter mais tempo! Isto sem tempo não funciona! Temos de inventar outro tempo! Mesmo que o tempo não traga vento! O Vento!
[E que tristeza, ali sozinho!
Ninguém tem pena do nosso ventinho?
Oh, coitadinho do nosso ventinho!
Sempre a bufar e sempre sozinho!
Bufem com ele, o nosso ventinho!
Chorem por ele, o nosso ventinho!]
Logo a seguir, a multidão apanhou os bancos e o Messias continuou morto no adro.
- Pronto – esgrimiu a D. Amélia – assim estão satisfeitos! Mas…oh! Oh! Era preciso tanto alarido? Oh! Oh! Oh! Se ele trazia a palavra agora calou-se e finou-se pra sempre.
A multidão acusou o peso próprio das culpas infligidas. Logo se formou um grande coro e todos cantaram um salmo de retracção em ré menor, na esperança de ainda chegarem a tempo ao guichet da redenção. Ao fim ao cabo, ser exagerado é uma questão de educação quando a inibição nos afunda em silêncios. Por isso mesmo, voltaram a cantar em uníssono logo após o primeiro esforço, mas agora em volume redobrado.
Silêncio.
Repete-se a ladainha mas agora mexendo as cabeças e abrindo mais a goela.
Silêncio.
Volta-se depressa ao início e agora abana-se os outros.
Silêncio.
Prolonga-se a última letra até o rubor aparecer.
Silêncio.
Diz-se mirtilo, sem i.
Silêncio.
Deixa-se estar mais um pouco.
Silêncio.
A ver se isto assim se aguenta.
Silêncio.
Diz-se silêncio baixinho.
Silêncio.
Encara-se a medo o defunto.
Silêncio.
Pesa-se em luz o encanto.
Silêncio.
Salvou-os o sino e um pranto.
A soluçar, a D. Amélia virou costas e dançou com o caminho até casa. Triste tarde aquela! E levam-nos assim um neto por não acertar com as palavras? E agora, o chá tão frio… e as contas para pagar. E agora dizer aos senhores…e tratar de uma coisa bonita. E agora é falar por falar…sem pensar em falar por pensar. E agora a tarde é dia…sem ninguém para trazer a noite. Oh! Oh! Oh…
O Agente Boby e o Mistério Pascal

No nosso metié quando o telefone toca, nunca é para nos pedirem um disco. Regra geral, depois de confirmarem que nós somos mesmos nós, cantam-nos um fado triste, que, na maioria das vezes, tem uma letra estafada e lírica de quem só sabe três acordes. Aquele foi diferente, eu devia ter estranho principalmente quando ele começou a apelar a um ponto de ordem na chamada e a cronometrar-me o tempo que eu falava. Pensei que era apenas um avarento com medo da dolorosa mensal da PT.
Eu não gosto de vender os meus préstimos avarentos, regra geral protestam sempre da factura e não raramente demoramos mais a receber o devido do que o tempo que gastamos a merecer emitir a factura. Mas não é todos os dias alguém liga a pedir para encontrar-mos 119 pessoas de atacado. Avisei-o logo que não praticava preços de grupos, queria ser pago por cabeça. Ele tentou sossegar e coisa ia azedando:
- Não se preocupe, quem paga é o Estado. - disse ele.
- Pois, mas comigo é pagamento a pronto. - retorqui.
Ele tentou sossegar-me:
- A contabilidade depois trata disso. – desdenhou ele.
Felizmente ainda não lhe tinha dito o preço, fiz um cálculo rápido: Três meses à espera, segunda via da factura, 35 chamadas de 30 minutos cada, mais dois meses à espera, terceira via da factura... fiz-lhe o preço dobrado. Não se queixou, achei estranho, quando não se queixam é porque não pensam pagar. Ou alguém paga por eles ou então esperam que a vida me retribua o favor que lhes fiz. Mas estava curioso e dirige-me á morada indicada.
Era um palacete enorme. Fiquei logo de olho no mordomo. Eu leio muitos policiais.
- Venho falar com o Sr.Gama.
- Eu vou ver se o senhor presidente o pode atender,
Estranhei o tratamento. Ainda pensei em argumentar com o pinguim que o presidente é que me tinha chamado, mas cheiro-me que o pinguim já tinha visto muito glaciar a derreter e a correr por baixo das mais variadas pontes. Aguardei. Ele chegou afogueado.
- Boa tarde Sr. Boby ainda bem que conseguiu vir tão rapidamente.
Já o pinguim me tinha surpreendido, mas os pinguins estão treinados para reagir friamente ás coisas. Se algum deles estranhou o facto de eu ser um canídeo nenhum o deixou transparecer.
O cliente explicou-me o ocorrido. No fim da tarde de quarta-feira deram pela falta de 119 deputados.
- Porque tão tarde?
- Eram quando eles faziam falta.
- Ia iniciar-se a discussão?
- Não. – explicou-me – íamos iniciar as votações.
E largou-se numa longa explicação sobre o fundamentos da nossa democracia parlamentar. A meio perdi-me mas ficaram as ideias base.
Primeiro o povo vota, e vota nos partidos. Os partidos sentam lá uns senhores cuja função é levantar o braço quando lhes mandam.
Ainda lhe perguntei se não podiam ser outros braços a serem levantados. Ele explicou-me que assim a nossa democracia representativa ficaria ferida de morte.
- O povo votou para serem aqueles braços a votar como lhes mandam e não outros. Não pode ser qualquer um a levantar o braço quando lhe mandam.
Já há muito que aprendi a respeitar a crenças absurdas dos humanos. Eu alço a pata esquerda ou a direita dependendo do lado que o poste está, mas os humanos são todos dados aos rituais e aos protocolos. Há coisas que não vale a pena tentar perceber. E de qualquer forma estava a ficar cheio de dores de cabeça, como sempre acontece quando alguém me tenta falar de politica. E já sabia o fundamental, os 119 deputados apareciam ou o parlamento ficava parado.
- O país não pode ficar paralisado! – exclamou ele.
Deixei passar a hipérbole.
Quem tinha feito o trabalho não era de todo sectário. Do PS tinha desaparecido quarenta por cento da bancada, do PSD evaporara-se 66%, do CDS-PP desapareceram 5 deputados, do pcp dois e do bloco de esquerda apenas um. Dos verdes curiosamente não tinha desaparecido nenhum, o que me levava a especular que os raptores não gostavam de deputados recicláveis.
Quis saber quando tinham sido vistos pela última vez. Não sabiam, O Gama lembrava-se de os ter visto na tomada de posse, depois deixará de olhar.
- Só me lembro de ver os braços no ar, mas não posso jurar que agarrados a eles estivessem deputados.
O pinguim avançou com a ideia de verificarmos o livro de presenças. Reduzimos a lista a 82 deputados que tinham assinado o livro de manhã e que não se encontravam na sala ás 19h00. Tentei seguir o caminho habitual dos desaparecimentos. Mas nada. Nenhum dos dois conhecia bem os hábitos dos deputados faltosos. O facto de passarem o dia a ler os jornais, a dormir e a conversar não me permitia concluir nada. Pela cara que fizeram quando lhes perguntei se os desaparecidos tinham inimigos ou alguém que os invejasse percebi que estava no caminho errado. Resolvi ir visitar o espaço da ocorrência.
- Cheira a coelheira – queixei-me
- Coelheira?! – indignou-se o pinguim.
- Realmente – concordou o Gama.
- Eu peço desculpa Sr. Presidente, nós fazemos o que podemos, mas eles são tantos... – tentou justificar-se o Pinguim.
- Não – atalhei eu – isto é cheiro de coelho, mesmo.
Duas horas depois abandonei o palácio. A vida é assim, a verdade faz strip-teasse na nossa cara e nós só a vemos depois do lap dance ter atingindo limites escandalosos. Era a véspera da Páscoa, os desaparecidos eram redondinhos e estavam regra geral paradinhos. Mas foi o cheiro de coelheira que me despertou para a realidade. Enquanto me afastava do Palácio ainda ouvia ao longe os gritos alegres do pinguim e do Gama.
- Sr. presidente, está aqui outro.
- E aqui mais um, ajude-me a desenterrar este.
O Coelho da Páscoa está a ficar senil. Na pressa de ocorrer a todas as solicitações tinha confundido os deputados mais anafados com ovos da Páscoa e tinha-os enterrado no jardim em frente. É o que faz tentar despachar o trabalho.
18/04/2006
Carta de Intenções
É com incomensurável orgulho que inauguramos este espaço opinativo, criado sob a égide da Palmilha Dentada. “Inauguração?” (perguntam os caríssimos leitores) e eu respondo: inauguração é uma estreia, uma abertura formal de um espaço... e vocês interrompem-me e dizem “Não estúpido! Queremos dizer é que já foi inaugurado! Pelo Pop-up”. Meus amigos, aí é que se enganam... Um pop-up é algo que não podemos evitar, é um ser indesejado que se auto-proclama proprietário do espaço de outro. Um ditador da net. E depois não é só isso... um abajur ? Quem raio usa um abajur na cabeça ??? Não foi, quero crer, uma inauguração! E acreditem, ele vai andar por aí, a aparecer quando menos se espera.
Mas regressando às intenções... Local que se quer de debate digno e sustentado em argumentos responsáveis, “A Dentada da Palmilha” procurará ser, pelo menos no que a mim respeita (advirto desde já os caríssimos leitores que me escusarei a quaisquer responsabilidades pelos posts dos meus colegas), um nobre “receituário” de postura cívica com pitadas de espirituosidade. A crítica social, política e cultural que o Teatro da Palmilha Dentada tem levado a cabo ao longo dos anos nas suas inúmeras actividades revelou-se manifestamente insuficiente perante as novas tecnologias em que a tinta física é nitidamente ultrapassada pela virtual. Foi neste sentido que eu, Palmilha Direita, me lembrei de levar a ideia de criar este sítio ao grupo, numa conversa que, de tão marcante na vida do Teatro da Palmilha Dentada, cumpre que ora se torne pública:
Palmilha Direita – Olá!
Palmilha Esquerda – Que queres? Estou a trabalhar!
Palmilha Direita – Tenho uma ideia...
Palmilha Esquerda – Tu e as tuas ideias...
Palmilha Direita – Mas esta é brilhante!
Palmilha Esquerda – Já te disse: escreves as tuas ideias naquela lousa e eu, quando tiver tempo, vejo-as.
Palmilha Direita – A lousa está cheia.
Palmilha Esquerda – Tem dois metros. Não pode estar cheia!
Palmilha Direita – Está. Tenho muitas ideias.
Palmilha Esquerda – Diz lá então, mas sê rápido porque tenho muito que fazer.
Palmilha Direita – Acho que com os novos tempos, choque tecnológico e tal, não podemos mais fugir a uma questão... Estamos desactualizados.
Palmilha Esquerda – Que queres dizer?
Palmilha Direita – Não temos um espaço de escrita livre digno.
Palmilha Esquerda – Temos uma lousa de dois metros.
Palmilha Direita – Não é isso! Precisamos de algo mais! Já não chega a rádio ou o Teatro. Temos de chegar a outro público. O público virtual.
Palmilha Esquerda – Hmmm....
Palmilha Direita – Temos de ter textos naquilo a que “eles” chamam de Internet!
Palmilha Esquerda – Num blog?
Palmilha Direita – Não! Num computador mesmo!
E foi esta a génese deste espaço que queremos de todos e para todos. Participem, com alegria e boa disposição! Boa?
Um bem hajam queridos leitores!
Mas regressando às intenções... Local que se quer de debate digno e sustentado em argumentos responsáveis, “A Dentada da Palmilha” procurará ser, pelo menos no que a mim respeita (advirto desde já os caríssimos leitores que me escusarei a quaisquer responsabilidades pelos posts dos meus colegas), um nobre “receituário” de postura cívica com pitadas de espirituosidade. A crítica social, política e cultural que o Teatro da Palmilha Dentada tem levado a cabo ao longo dos anos nas suas inúmeras actividades revelou-se manifestamente insuficiente perante as novas tecnologias em que a tinta física é nitidamente ultrapassada pela virtual. Foi neste sentido que eu, Palmilha Direita, me lembrei de levar a ideia de criar este sítio ao grupo, numa conversa que, de tão marcante na vida do Teatro da Palmilha Dentada, cumpre que ora se torne pública:
Palmilha Direita – Olá!
Palmilha Esquerda – Que queres? Estou a trabalhar!
Palmilha Direita – Tenho uma ideia...
Palmilha Esquerda – Tu e as tuas ideias...
Palmilha Direita – Mas esta é brilhante!
Palmilha Esquerda – Já te disse: escreves as tuas ideias naquela lousa e eu, quando tiver tempo, vejo-as.
Palmilha Direita – A lousa está cheia.
Palmilha Esquerda – Tem dois metros. Não pode estar cheia!
Palmilha Direita – Está. Tenho muitas ideias.
Palmilha Esquerda – Diz lá então, mas sê rápido porque tenho muito que fazer.
Palmilha Direita – Acho que com os novos tempos, choque tecnológico e tal, não podemos mais fugir a uma questão... Estamos desactualizados.
Palmilha Esquerda – Que queres dizer?
Palmilha Direita – Não temos um espaço de escrita livre digno.
Palmilha Esquerda – Temos uma lousa de dois metros.
Palmilha Direita – Não é isso! Precisamos de algo mais! Já não chega a rádio ou o Teatro. Temos de chegar a outro público. O público virtual.
Palmilha Esquerda – Hmmm....
Palmilha Direita – Temos de ter textos naquilo a que “eles” chamam de Internet!
Palmilha Esquerda – Num blog?
Palmilha Direita – Não! Num computador mesmo!
E foi esta a génese deste espaço que queremos de todos e para todos. Participem, com alegria e boa disposição! Boa?
Um bem hajam queridos leitores!
em 1ª mao.
há vantagens em ser o 1º a escrever neste blog. nunca antes foi escrito algo de tão bom.
mas é preciso fazer jus ao nick e este "post" mais não é do que mero ruído cibernético.
aguardemos futuras (espera-se que breves) dentadas da palmilha. eu, cá estarei para comentar a despropósito.
acção meus caros, acção.
mas é preciso fazer jus ao nick e este "post" mais não é do que mero ruído cibernético.
aguardemos futuras (espera-se que breves) dentadas da palmilha. eu, cá estarei para comentar a despropósito.
acção meus caros, acção.
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