Um gajo sabe que está no Porto quando, passeando pelo shopping, encontra um guna vestido de Pai Natal com um cartaz pela frente e por trás com a seguinte inscrição:
Vende-se rena
Happy Hour das 13 às 14:30!
28/11/2006
27/11/2006
Lisbon Stories
Um gajo sabe que está em Lisboa quando, passeando pelo shopping, encontra uma cadeira vazia com uma rena ao lado, por detrás de um cartaz que indica: "horário do Pai-natal, 10 às 13 e 14.30 às 22."
25/11/2006
24/11/2006
Dos jornais “Agricultura biológica recebe seis milhões”
Então uns gajos que nem gastam dinheiro em pesticidas levam isto?
E subsidio-dependentes somos nós?
Ora bolas, eu nem quero pensar no que eles usam para estrumar os campos e depois levam seis milhões de euros?!
Piadas à parte, acho bem.
Eu também gosto das minhas maças mirradinhas e com buracos de minhocas.
Em imagem os apoios pontuais ás artes para 2006
E subsidio-dependentes somos nós?
Ora bolas, eu nem quero pensar no que eles usam para estrumar os campos e depois levam seis milhões de euros?!
Piadas à parte, acho bem.
Eu também gosto das minhas maças mirradinhas e com buracos de minhocas.
Em imagem os apoios pontuais ás artes para 2006
22/11/2006
Monólogo Interior Anterior
Quem ganha a vida a escrever e a escrever principalmente diálogos, aprende rapidamente a dominar a técnica. Porque a evolução dos diálogos tem uma lógica, e tudo o que é dito vem na sequencia de algo que foi dito atrás e do que foi pensado em função do que o interlocutor disse.
Na rua fico fascinado com pequenas frases que ouço. E não é só pelas pronúncias e pelas construções enigmáticas das frases. Aliás tenho o terrível hábito de repetir, por vezes demasiado alto, algumas das pérolas que vou ouvindo.
Mas o mais enriquecedor é ouvir o que não foi dito. Cada sentença que largamos tem em si uma série de pressupostos que aprendemos a adivinhar.
Rui Rio, a propósito do adiamento da decisão de entrega do Rivoli a privados para final deste mês, afirmou: “Fez-se um esforço para saber se as candidaturas poderiam acomodar ideias de outras. Não se consegui até à data e julgo que vai ser impossível. E não é má vontade dos candidatos. Apresentaram argumentos racionais.”
E eu daqui só posso construir um monólogo interior anterior:
“Precioso, eles não querem que eu quero, eles querem dar-me cabo da vida. Cuidado Precioso, eles fazem tudo para nos destruir, eles são o Inimigo. Um deles, um dos muitos, Precioso. Vivemos rodeados de inimigos. Eu sei Precioso, eles dão argumentos racionais. Alguém lhos ensinou. Como é que eles se atrevem a dar argumentos racionais, tenho que por uma clausula contra os argumentos racionais. E outra mais lapidar: ‘Quem não faz o que eu quero, têm má vontade’. É sempre assim Precioso, eles apenas existem para nos chatearem.”
Na rua fico fascinado com pequenas frases que ouço. E não é só pelas pronúncias e pelas construções enigmáticas das frases. Aliás tenho o terrível hábito de repetir, por vezes demasiado alto, algumas das pérolas que vou ouvindo.
Mas o mais enriquecedor é ouvir o que não foi dito. Cada sentença que largamos tem em si uma série de pressupostos que aprendemos a adivinhar.
Rui Rio, a propósito do adiamento da decisão de entrega do Rivoli a privados para final deste mês, afirmou: “Fez-se um esforço para saber se as candidaturas poderiam acomodar ideias de outras. Não se consegui até à data e julgo que vai ser impossível. E não é má vontade dos candidatos. Apresentaram argumentos racionais.”
E eu daqui só posso construir um monólogo interior anterior:
“Precioso, eles não querem que eu quero, eles querem dar-me cabo da vida. Cuidado Precioso, eles fazem tudo para nos destruir, eles são o Inimigo. Um deles, um dos muitos, Precioso. Vivemos rodeados de inimigos. Eu sei Precioso, eles dão argumentos racionais. Alguém lhos ensinou. Como é que eles se atrevem a dar argumentos racionais, tenho que por uma clausula contra os argumentos racionais. E outra mais lapidar: ‘Quem não faz o que eu quero, têm má vontade’. É sempre assim Precioso, eles apenas existem para nos chatearem.”
17/11/2006
13/11/2006
No País Dos Chacais

No país dos chacais há um chacal pequenino cujo trabalho é ler as leis em busca de buracos. O processo é sempre o mesmo, quando sai uma nova lei o grande chacal diz ao chacal pequenino:
- Busca, busca!
E o chacal pequenino busca. E quando encontra um buraquinho o chacal pequenino abana a cauda todo contente e vai a correr ter com o grande chacal levando na boca o decreto de lei. E diz:
- Grunde Charuqerak! Haguue ungre bugagio! Zilhões Zilhões.
Invariavelmente o grande chacal dá-lhe um pontapé e ordena:
- Tira essa porcaria da boca e fala como deve ser que eu não percebo nada!
- Grande Chacal! Há um buraco! Milhões. Milhões!
Nessa altura o grande chacal começa também ele a abanar a cauda e em torno do chacal pequenino dança feliz:
- Milhões! Milhões! Milhões!
Nesse momento o chacal pequenino deita-se de patitas para o ar numa posição de humilde vassalagem e espera que o grande chacal se acalme.
Quando um grande chacal dança uma dança feliz em torno de um pequeno chacal e grita: - Milhões, milhões! – o melhor que um chacal pequenino pode fazer é deitar-se no chão, de patitas para o ar, numa posição de humilde vassalagem.
Quando finalmente o grande chacal se acalma ordena:
- Conta-me tudo, quero saber tudo.
- Ó grande chacal! É o IMT! Quando alguém compra uma casa ou outro imóvel paga o Imposto Municipal sobre a transmissão onerosa de Imóveis...
- Chupistas – interrompe o grande chacal – cambada de chupista, estado chupista que só quer o nosso dinheirinho.
- Pois é grande chacal – anui o chacal pequenino.
- Só servem para ficar com o que nós ganhamos.
- Mas isso vai mudar – continua o chacal pequenino - Quando nós emprestamos o nosso dinheirinho aos carneirinhos para eles comprarem as suas casinhas ...
- Eu gosto de carneirinhos – interrompe novamente o grande chacal com o olhar brilhante que reservamos para falar das coisas que nos são queridas – Eu gosto tanto dos carneirinhos. Tu gostas dos carneirinhos, chacal pequenino?
- Gosto, eu gosto muito – reponde com ar guloso o chacal pequenino.
- São tão bonitos a saltar alegremente por essas veredas fora, eu gosto especialmente dos carneirinhos clientes. – Conclui o grande chacal com um longo suspiro.
E o chacal pequenino continua com a explicação:
- Nós emprestamos-lhe o dinheiro e eles compram a casinhas. Ora se eles não pagam as prestações nós ficamos com as casinhas, e o IMT ...
- Não me digas que vamos ter que pagar o IMT quando lhes ficamos com as casas! - Rosna o grande chacal – Nós não temos culpa que a merda dos carneiros não saibam fazer contas, não resistam a uma publicidade bonita e que não aguentem a flutuações naturais das taxas de juros num mercado liberal. Merda de carneirada.
- Não grande chacal, estamos isentos. Quando ficamos com os imóveis dados como garantia de um empréstimo, não pagamos IMT.
- Muito bem, e onde é que estão os milhões?
- Grande chacal, vamos deixar de comprar imóveis, quando quisermos comprar novos balcões, ou criar empreendimentos turístico, só temos que dar um empréstimo igual ao valor da compra ao dono, ele não nos paga. Nós ficamos com o bem e não pagamos IMT, ele ficam com o dinheiro e não os impostos sobre a venda do bem, e o estado fica a chuchar no dedo. – Conclui triunfante o chacal pequenino.
- Chupistas bem feito. Milhões. – Exclama eufórico o grande chacal - Chacal pequenino, estou satisfeito contigo. Toma lá um biscoito. Desde a história do arrebonlamentos que não me fazias tão feliz
- Arredondamentos, é arredondamentos grande chacal.
E no fim do dia o grande chacal dorme feliz e feliz dorme o chacal pequenino.
Cabrões dos chacais.
10/11/2006
3ª Reunião de Condomínio 17/11/06
REUNIÃO DE CONDOMÍNIO
Convocatória
Prezado Senhor Condómino, os abaixo assinados, representando um quarto (1/4) do condomínio (ou mais deum quarto do condomínio) do Edifício Estúdio 112, sito na rua 31 de Janeiro,nº 97, convocam V.Exa., nos termos do art. 25 da Lei nº 4.591, de 16 deDezembro de 1964, para uma Assembleia Geral Extraordinária a se realizar noTertúlia Castelense, a partir das 22.00 horas do dia 17 de Novembro, a fim dedeliberarem sobre a matéria da seguinte ordem do dia:
1 - Uma desculpa esfarrapada para beber uns copos
2 – Ver uma Stand-Up do Ricardo Leite (uma óptima desculpa para
beber copos)
3 – Comemorar o Aniversario do Hélder Guimarães e do supra citado
Ricardo Leite (quem é que não bebe um copo?!?)
Ricardo Leite (quem é que não bebe um copo?!?)
4 – Escolhas musicais de Ricardo Alves, Ivo Bastos e Rodrigo
Santos (por favor dêem-me um copo!!!)
5 – Afinal o que é a Reunião de Condomínio? (bebam um copo, eu
explico!)
Em relação ao ponto 1 pouco haverá a dizer. À data será um dado adquirido.Em relação ao ponto 2 é um espectáculo que já está marcado e nós colámo-nos a ele, por isso vamos ter um belo quórum. O ponto 3 é mais periclitante, visto que um é campeão do mundo em magia de cartas – aka batota – e o outro é supra citado! Enfim…
Não comento o ponto 4 – faço parte de uma estrutura e subalternizo-me a ela – e abro alas para o 5º. Meus amigos, o Ricardo Alves – conhecido entre vós carinhosamente como “Director da Palmilha Dentada” – um dia lembrou-se de fazer uma festa onde reunisse todos os amigos, colegas, parceiros, fãs, opositores, arqui-inimigos, família, a D. Laura e até mesmo algum staff da CMP. Tudo apenas com o propósito de beber um copo! O nome da festa e os restantes devaneios saíram da mente conturbada do Bastos – conhecido entre vós carinhosamente como “Director da Palmilha Dentada” –, isto claro, com a anuência do Rodriguinho – conhecido entre vós carinhosamente como “Director da Palmilha Dentada”. O resto é uma bela história da qual vocês podem fazer parte! Para que beber um copo se torne mais agradável, temos os seguintes Dj´s:
– Dj AlBarbas – Glamour Naftaline
Não comento o ponto 4 – faço parte de uma estrutura e subalternizo-me a ela – e abro alas para o 5º. Meus amigos, o Ricardo Alves – conhecido entre vós carinhosamente como “Director da Palmilha Dentada” – um dia lembrou-se de fazer uma festa onde reunisse todos os amigos, colegas, parceiros, fãs, opositores, arqui-inimigos, família, a D. Laura e até mesmo algum staff da CMP. Tudo apenas com o propósito de beber um copo! O nome da festa e os restantes devaneios saíram da mente conturbada do Bastos – conhecido entre vós carinhosamente como “Director da Palmilha Dentada” –, isto claro, com a anuência do Rodriguinho – conhecido entre vós carinhosamente como “Director da Palmilha Dentada”. O resto é uma bela história da qual vocês podem fazer parte! Para que beber um copo se torne mais agradável, temos os seguintes Dj´s:
– Dj AlBarbas – Glamour Naftaline
– Dj Bastiano – Skanzione Romanticí Populare
– Dj Róró Navalheira – NéoRócócóUrbano
A vossa presença será para nós um prazer!
Se não houver número para a reunião da Assembleia, em primeira convocação,instalar-se-á em segunda, com qualquer número, às 23:31 horas.Por isso não vale a pena boicotar esta reunião, ela realizar-se-á na mesma.E como eu sempre digo:" Se não os vences reúne-te com eles"!
Assinaturas dos Condóminos convocantes.
Barbas
Róró
Bico Tico Rico
Dótóre
Abatjour
Abatjour
Pvc
Muito engrandecidos, os sempre vossos Palmilhas.
09/11/2006
A diferença entre falar e dizer coisas.
Após cinco meses de silêncio, o senhor que recebe ordenado para ser Vereador da Cultura da Câmara do Porto falou finalmente à cidade. E disse que está calado.
Felizmente no PSD-Porto há gente que ao falar diz efectivamente alguma coisa.
A democracia afinal funciona, aguardo que finalmente comecem a pensar nos problemas antes de os tentar resolver, a coisa funciona muito melhor assim.
A política não é tirar ou esconder coelhos em cartolas e esperar que o povo acredite em Magia.
07/11/2006
Carta aberta a sua Excelência o Presidente da Câmara Municipal do Porto
Exmo.Sr.Dr.Rui Rio,
Na sequência da entrevista apresentada na passada segunda-feira na RTP1, onde V. Ex.ª se mostrou disponível para apoiar os grupos de Teatro da cidade do Porto - não em subsídios a fundo perdido, mas sim pelo pagamento de uma sala para apresentação dos seus trabalhos - vimos solicitar a V. Ex.ª o apoio para o aluguer de uma sala de teatro, nesta cidade, para a realização de 2 semanas de ensaios e montagem e 6 semanas de apresentação de espectáculos e, ainda, o aluguer de um espaço de ensaios durante 6 semanas.
Caso desconheça o nosso trabalho, mais informo que a nossa última representação - Armadilha para Condóminos - esteve em cena um mês, tendo cumprido 17 representações, que foram vistos por 2.276 pessoas (lotação média de 133 pessoas por dia, 76% de ocupação da sala). A temporada rendeu 12.374 euros. Valor, infelizmente, ainda assim insuficiente para pagar todos os custos de produção, uma vez que estes foram de 15 mil euros e que metade da receita, por contrato, pertencia ao teatro de acolhimento. Não sendo um grupo apoiado - nem pelo Estado central, nem pelo autárquico - apenas tivemos o apoio de duas empresas privadas que nos facultaram gratuitamente alguns dos materiais que eram necessários para a cenografia.
Apesar dos últimos 7 dias de representação terem tido a lotação esgotada e haver ainda muita gente que gostaria de pagar para ver o trabalho que produzimos, por compromissos já assumidos pelo teatro onde nos encontrávamos, foi de todo impossível prolongar a temporada.
Assim, para o nosso próximo trabalho pensamos que o ideal seria apostar numa temporada mais intensa e para um universo maior de possíveis espectadores. Uma temporada de 5 espectáculos semanais ao longo de 6 semanas num universo possível, atendendo à capacidade da sala em questão, de 11.820 espectadores.
Penso que, com estes universos de possíveis espectadores, será viável, e necessário, investir um pouco mais na qualidade de cenários, adereços, número de actores em palco e divulgação. Pelo que estimo que o custo da próxima produção poderá rondar os 30 mil euros, investimento que penso ser recuperável nas receitas de bilheteira, evitando assim a subsídio-dependência que V. Ex.ª. critica.
Mais informo V. Ex.ª que o preço aproximado de aluguer da sala será de 68.600 euros (quase de 14 mil contos), infelizmente o mais do dobro do custo da própria produção. Quase o dobro dos apoios que a Câmara Municipal do Porto pensou em dar ao Fazer a Festa e à Fundação Eugénio de Andrade. O dobro do que o Fantasporto espera receber da Câmara Municipal do Porto para a sua próxima edição. Seis vezes o que foi atribuído ao Festival Internacional de Marionetas e mais do dobro do atribuído ao FITEI.
Basicamente são 68% do valor que V.Ex.ª investiu em subsídios a fundo perdido às iniciativas culturais da cidade. Mas estou seguro que quando avançou com a solução de pagar a sala e não de dar subsídios a fundo perdido pensou antes de falar e fez as contas.
É de salientar que o valor referido inclui - além do aluguer da sala de espectáculos, sala de ensaios e do material técnico - o custo de quatro técnicos (um técnico de som, um técnico de luz, um maquinista e um director de cena) para acompanhamento de ensaios e temporada.
Sei, evidentemente, que o preço é elevado - principalmente se considerarmos a complicada crise que o país atravessa. Infelizmente, o proprietário da sala não me parece sensível a esses argumentos, uma vez que este é já o preço praticado para entidades sem fins lucrativos.
Felizmente que, com o apoio que V. Ex.ª não deixará seguramente de atribuir a este projecto, será possível manter os preços dos bilhetes num valor médio de 5 euros (contado com um ocupação média de 50%) e não ter que cobrar um preço médio de 16 euros e 60 cêntimos o que tornaria o teatro um artigo de luxo, não compatível com a bolsa da maioria dos portuenses.
Mais informo que a sala de espectáculos e a sala de ensaios que pretendemos alugar são do Teatro do Campo Alegre, pertença da Fundação Ciência e Desenvolvimento, entidade composta pela Câmara Municipal do Porto e pela Universidade do Porto. Infelizmente são estes os preços praticados por aquela que V. Ex.ª considera a segunda sala de teatro que a câmara tem para oferecer à cidade, e que se tornará na única quando, e se efectivamente for, privatizada a gestão do Rivoli.
Caso V. Ex.ª tenha conhecimento de uma outra sala de teatro equipada e pronta a acolher o nosso projecto, numa temporada longa, e que fique mais económica para o erário público, teremos muito gosto em estudar a viabilidade de nela apresentar o espectáculo. Nós, que conhecemos bem a realidade cultural da cidade do Porto, infelizmente não conhecemos nenhuma na cidade.
Aguardando deferimento.
Atenciosamente,
Ricardo Alves
(Director do Teatro da Palmilha Dentada)
Na sequência da entrevista apresentada na passada segunda-feira na RTP1, onde V. Ex.ª se mostrou disponível para apoiar os grupos de Teatro da cidade do Porto - não em subsídios a fundo perdido, mas sim pelo pagamento de uma sala para apresentação dos seus trabalhos - vimos solicitar a V. Ex.ª o apoio para o aluguer de uma sala de teatro, nesta cidade, para a realização de 2 semanas de ensaios e montagem e 6 semanas de apresentação de espectáculos e, ainda, o aluguer de um espaço de ensaios durante 6 semanas.
Caso desconheça o nosso trabalho, mais informo que a nossa última representação - Armadilha para Condóminos - esteve em cena um mês, tendo cumprido 17 representações, que foram vistos por 2.276 pessoas (lotação média de 133 pessoas por dia, 76% de ocupação da sala). A temporada rendeu 12.374 euros. Valor, infelizmente, ainda assim insuficiente para pagar todos os custos de produção, uma vez que estes foram de 15 mil euros e que metade da receita, por contrato, pertencia ao teatro de acolhimento. Não sendo um grupo apoiado - nem pelo Estado central, nem pelo autárquico - apenas tivemos o apoio de duas empresas privadas que nos facultaram gratuitamente alguns dos materiais que eram necessários para a cenografia.
Apesar dos últimos 7 dias de representação terem tido a lotação esgotada e haver ainda muita gente que gostaria de pagar para ver o trabalho que produzimos, por compromissos já assumidos pelo teatro onde nos encontrávamos, foi de todo impossível prolongar a temporada.
Assim, para o nosso próximo trabalho pensamos que o ideal seria apostar numa temporada mais intensa e para um universo maior de possíveis espectadores. Uma temporada de 5 espectáculos semanais ao longo de 6 semanas num universo possível, atendendo à capacidade da sala em questão, de 11.820 espectadores.
Penso que, com estes universos de possíveis espectadores, será viável, e necessário, investir um pouco mais na qualidade de cenários, adereços, número de actores em palco e divulgação. Pelo que estimo que o custo da próxima produção poderá rondar os 30 mil euros, investimento que penso ser recuperável nas receitas de bilheteira, evitando assim a subsídio-dependência que V. Ex.ª. critica.
Mais informo V. Ex.ª que o preço aproximado de aluguer da sala será de 68.600 euros (quase de 14 mil contos), infelizmente o mais do dobro do custo da própria produção. Quase o dobro dos apoios que a Câmara Municipal do Porto pensou em dar ao Fazer a Festa e à Fundação Eugénio de Andrade. O dobro do que o Fantasporto espera receber da Câmara Municipal do Porto para a sua próxima edição. Seis vezes o que foi atribuído ao Festival Internacional de Marionetas e mais do dobro do atribuído ao FITEI.
Basicamente são 68% do valor que V.Ex.ª investiu em subsídios a fundo perdido às iniciativas culturais da cidade. Mas estou seguro que quando avançou com a solução de pagar a sala e não de dar subsídios a fundo perdido pensou antes de falar e fez as contas.
É de salientar que o valor referido inclui - além do aluguer da sala de espectáculos, sala de ensaios e do material técnico - o custo de quatro técnicos (um técnico de som, um técnico de luz, um maquinista e um director de cena) para acompanhamento de ensaios e temporada.
Sei, evidentemente, que o preço é elevado - principalmente se considerarmos a complicada crise que o país atravessa. Infelizmente, o proprietário da sala não me parece sensível a esses argumentos, uma vez que este é já o preço praticado para entidades sem fins lucrativos.
Felizmente que, com o apoio que V. Ex.ª não deixará seguramente de atribuir a este projecto, será possível manter os preços dos bilhetes num valor médio de 5 euros (contado com um ocupação média de 50%) e não ter que cobrar um preço médio de 16 euros e 60 cêntimos o que tornaria o teatro um artigo de luxo, não compatível com a bolsa da maioria dos portuenses.
Mais informo que a sala de espectáculos e a sala de ensaios que pretendemos alugar são do Teatro do Campo Alegre, pertença da Fundação Ciência e Desenvolvimento, entidade composta pela Câmara Municipal do Porto e pela Universidade do Porto. Infelizmente são estes os preços praticados por aquela que V. Ex.ª considera a segunda sala de teatro que a câmara tem para oferecer à cidade, e que se tornará na única quando, e se efectivamente for, privatizada a gestão do Rivoli.
Caso V. Ex.ª tenha conhecimento de uma outra sala de teatro equipada e pronta a acolher o nosso projecto, numa temporada longa, e que fique mais económica para o erário público, teremos muito gosto em estudar a viabilidade de nela apresentar o espectáculo. Nós, que conhecemos bem a realidade cultural da cidade do Porto, infelizmente não conhecemos nenhuma na cidade.
Aguardando deferimento.
Atenciosamente,
Ricardo Alves
(Director do Teatro da Palmilha Dentada)
03/11/2006
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