28/09/2006

Pelo Porto - Juntos no Rivoli


No Porto está a ser constituído um movimento de cidadãos preocupados com o actual momento da vida da cidade, em especial com a anuncia privatização do Rivoli-Teatro Municipal, rejeitando completamente os pressupostos do concurso anunciado, recusamos qualquer solução que passe por uma desresponsabilização da Câmara Municipal dos seus deveres para com os seus munícipes e que ao abrigo de argumentos puramente contabilísticos entregue a privados, para uma lógica de funcionamento privado, o que foi comprado e recuperado com fundos públicos.

Porque mais do que gritar ou sussurrar indignações, é fundamental reflectir em conjunto sobre as necessidades da cidade e sobre o que pode ser feito para inverter a actual perda de importância e qualidade de vida na cidade é necessário um convergir de vontades para a presentação de uma proposta de solução alternativa à privatização do Teatro Municipal.

A primeira iniciativa pública deste movimento constituirá numa acção de rua para continuação da recolha de assinaturas da petição criada na página www.juntosnorivoli.com de forma a ultrapassar as 10.000 adesões e para preparar a entrega formal desta à Assembleia Municipal do Porto.
Esta decorrerá no próximo sábado dia 30 de Setembro entre as 11h00 e as 13h00 na Rua de Santa Catarina junto ao Café Majestic.

Todos os que queiram apoiar e contribuir para este movimento podem faze-lo através do email juntosnorivoli@gmail.com

Ricardo Alves


Pelo Porto – Juntos no Rivoli

Porquê:

Porque a cultura representa a identidade de um povo
Porque a cultura estrutura uma sociedade democrática
Porque a cultura constrói sociedades mais produtivas e criativas
Porque a cultura tem benefícios económicos directos e indirectos

Porque estivemos demasiado tempo de braços cruzados
Porque a cidadania passa por todos nós – cidadãos – e como tal responsáveis.
Porque assistimos a um desmantelar de investimentos avultados e difíceis de realizar no curto-prazo
Porque somos cidadãos do Porto

Porque queremos um Porto mais democrático
Porque queremos uma cidade de relevância nacional e internacional
Porque queremos um Porto de oportunidades
Porque queremos um Porto capaz de reter os seus valores

Porque não podemos permitir que a cidade perca o seu futuro em estratégias sem norte, desejo ou ambição.

Porque é preciso não deixar que as medidas que afectam todos sejam tomadas à socapa, para assim impedir que as vozes se levantem (em oposição ou defesa…)

Porque temos massa crítica para o fazer

Queremos:

Repensar a cidade
Envolver toda a sociedade civil
Intervenções que estruturem o médio e longo prazo
Ter uma voz activa no desenvolvimento do Porto e do seu posicionamento

Queremos debater o Rivoli, o seu futuro, o destino do teatro municipal, que deve ser de todos.
Recusamos um concurso que apenas serve para entregar à lógica de privados o que foi comprado e recuperado com dinheiros públicos.
Defendemos a continuação do Rivoli, numa lógica de serviço público, como um instrumento de uma política cultural encarada como factor de desenvolvimento.
Queremos ajudar a encontrar alternativas para a gestão de uma política que sabemos ter recursos limitados mas que é um universo de oportunidades.
Vamos ser um espaço sistemático de observação critica da realidade cultural da cidade do Porto e da sua área metropolitana.
Propomos a reflexão e a participação de todos na construção de uma solução alternativa que defenda os interesses do Porto.

Pelo Porto – Juntos no Rivoli


Os subscritores

Alberto Magno; Alexandra Gandra; Ana Morais; Belmiro Magalhães; Carla Lopes; Carla Miranda; Carlos Azevedo; Carlos Romero; Carlos Tê; Dalila Carmo; Dario Oliveira; David Pontes; Fausto Neves; Francisco Alves; Francisco Beja; Helena Maia; João Teixeira Lopes; João Viana Jorge; José Carretas; Júlio Moreira; Luís Costa; Manuel Leitão; Maria João Machado; Miguel Bandeira; Miguel Guedes; Miguel Santos Henriques; Miguel von Haff Perez; Milice Ribeiro dos Santos; Nuno Grande; Pedro Bacelar de Vasconcelos; Pedro Guedes; Pedro Guedes de Oliveira; Pedro Pombo; Raul Constante Pereira; Ricardo Alves; Roberto Machado; Rui Encarnação; Rui Sá; Sérgio Teixeira; Soares da Luz; Teresa Vaz; Vera Santos.


26/09/2006

Nowhere/Everywhere Stories

Um gajo sabe que está em Paris quando, ao passar por cima de um viaduto olha para baixo e vê o Sena.

25/09/2006

Escrito por outros... Posto por mim!


Armadilha para condóminos é a nova peça da Palmilha. Para quem acha que desta feita o título é sobremaneira sugestivo, quem sabe imaginando o barulhento do 7º pendurado de pernas para o ar entre o 1º e a cave por uma corda de nó de forca, ou o puto chato do 3º preso numa ratoeira gigante enquanto tentava chegar a um pedacito de queijo, desengane-se. A coisa é mais densa, a trama mais intrincada e o tema… Bem, o tema é lixo. Como tal é um tema sujo, execrável, ideias dispensáveis, misturadas de forma confusa. O que também pode sugerir um tema político… Em última análise, entre a Rua da Alegria e a rampa da Escola Normal acumular-se-ão sacos do lixo sem que sejam devidamente recolhidos por quem de direito. Mas não! É apenas lixo… e tudo o que ele implica. Em primeiro lugar o que é, o que significa, o que foi e porque já não serve. Depois, quem o cria, quem, camada após camada o constrói qual retrato completo dos dias que vão passando. Finalmente, qual será o de amanhã, como serão os dias vindouros, o que virá a seguir nas sacas pretas iguais a todas as outras de toda a gente. O lixo prevê melhor o futuro do que cartas de tarô, borras de café ou vísceras de pombo. Até porque todas estas coisas também aparecem nas sacas de lixo.
Estima-se que durante o mês de Outubro, o lixo das pessoas que vão ver a Armadilha para condóminos tenha, entre caixas vazias de anti-depressivos, sentenças de inimputabilidade e constas de psiquiatria, um bilhetinho rasgado da última peça da Palmilha Dentada.



by Palmilha Direita

14/09/2006

“Os Miseráveis”


Um guião cinematográfico para um filme a realizar na Cidade do Porto. A partir da obra homónima de Victor Hugo.

Primeiro Plano – Rua da Foz.
Jean Valjean sai da sua vivenda e dirige-se ao seu Mercedes. Entra e bate com a porta. Sorri. Liga o carro e inicia uma viagem enquanto trauteia um tema de Nelo Monteiro.

Segundo plano – Vista aérea
O Mercedes Amarelo destaca-se no meio do trânsito que flúi calmo, ordeiro e sem engarrafamentos.

Terceiro, quarto e quinto plano - Sequência de vário planos da viagem de carro, tendo como fundo alguns dos principais pontos de interesse da cidade do Porto (escolher os enquadramentos mais bonitos)
O Mercedes de Jean Valjean passa na Praça da Batalha tendo por fundo o lindo objecto luminoso que lá se encontra.
O Mercedes contorna a Praça Carlos Alberto. Inserir digitalmente as fachadas já recuperadas e inserir vários figurantes vestidos de negro (as senhoras com lenços na cabeça e os senhores de chapéu e bengala), realçando assim o pitoresco da Cidade.
Rotunda da Boavista. Plano do Mercedes parado num semáforo frente à Casa da Musica. Mas porque a Casa da Musica é um bocado cinzenta é melhor tomar o plano tendo como fundo a Rotunda e o aquário com publicidade(ver se o austin Astra está disponível ou então um Jaguar). Colocar vários jardineiros a tratar do jardim.
Em local a designar um grande plano do carro parado, enquanto Jean gentilmente indica a uma senhora que se apresenta pela esquerda num Volvo que pode avançar. Pela janela vê-se um posto dispensador de sacos para recolha de fezes de cão.
Jardim da Cordoaria – encontrar um ângulo que permita inserir ao fundo o coreto com uma banda a tocar. (Será que ainda há bandas no Porto, se não houver eu tenho o contacto de uma de Viana) Retirar a fauna habitual do local e colocar muita juventude. Cuidado com a indumentária.

Sexto Plano. - Jean Valjean estaciona o Mercedes
Plano do Mercedes amarelo a estacionar na Rua 31 de Janeiro. Impedir o estacionamento de carros desde de manhã para que haja muito espaços livres. Tirar os romenos dos calendários da rua. Todos os figurantes deverão estar carregados se sacos de compras do comercio tradicional. Cuidado com a indumentária.

Sétimo plano, oitavo e nono plano - Jean vai ao parcómetro.
Jean não tem moedas. Vai trocar moedas a um polícia municipal que ao fundo ajuda uma velhinha a atravessar a rua. Não realizar planos de cima para baixo de forma a evitar que apareça as obras ao fundo. Todos os planos devem ser rentes ao chão de forma a não expor os andares superiores que estão abandonados. Estudar a possibilidade de instalar nos postes algumas floreiras iguais às que estão na rua de Cedofeita.

Decimo plano – Jean sobe as escadas do tribunal.

Decimo primeiro Plano – Jean frente ao juiz.
Tenho o contacto de algumas pessoas que participaram no mega cortejo de pais-natais. Era giro um juiz com um aspecto bonacheirão, um que sorria. O tribunal real é feio, mas podia-se usar o Palácio da Bolsa.

Decimo segundo Plano – Juiz condena Jean a dez anos nas galés por ter se esquecido de pagar um pão.

Decimo Terceiro Plano - Plano de Jean, a pé a descer até a ribeira, veste bermudas e camisa havaiana e leva uma mala Luis Viton. Entra num Barco rebelo transformado em Iate e parte rumo ao mar. Acho que o conjunto António Mafra tem uma música que poderia ser uma óptima banda sonora para o final. Podia ser filmado ao pôr-do-sol.

Ver se se consegue inserir alguns planos de corte com as plaquinhas verdes com os nomes das ruas. Talvez uma com o nome “Rua do Tribunal” assim pessoas já percebiam que o Palácio da Bolsa era o tribunal.
Não se esqueçam que quero verificar tudo antes do filme estrear.

#10

12/09/2006

Muito obrigado!!!




Caros condóminos, é com enorme prazer que hoje me dirijo a todos vós. Não poderia deixar de vos dar uma palavra de agradecimento pela vossa comparência nesta primeira reunião de condomínio da Palmilha Dentada. A reunião foi por deveras agradável, atingindo mesmo pontos de euforia tal que alguns dos presentes a descreveram como “memorável” e que a “ressaca” era perfeitamente suportável depois de tamanha festarola, despedindo-se mesmo com um “Obrigado compadres!”. A afluência foi extraordinária, um mar de gente compareceu à nossa convocatória. O trabalhão que nós tivemos para organizar o estacionamento e a entrada de tanto povo. Bolas! Até uma condómina do prédio em frente, assomou à varanda, numa tentativa de colaborar com a nossa reunião. Disse que não nos preocupássemos que ela própria ligaria às autoridades e assim dormiria mais descansada. É sempre bom ter quem olhe por nós. Foi pena os senhores agentes não comparecerem. Assim como assim sempre tomariam conta da porta. No dia seguinte houve quem nos dissesse na rua: “Que rica reunião! Quase que chamei as autoridades!”. Ainda estive para lhes dizer que a autoridade é que não quis aparecer, mas como eles também não tinham vindo, podiam levar a mal. Por isso, e depois de ter descansado no Domingo e ter “lava-lava-lava/esfrega-esfrega-esfrega” na Segunda, decidi informar todos os que ainda não são condóminos da Palmilha Dentada, que o podem ser no dia 4 de Outubro no Labirintho. Será lá a próxima reunião. Claro que atempadamente daremos mais informações. Para os que já sabem o que casa gasta convido-vos a voltar, aos restantes a aparecer! Um grande bem haja!

#8

10/09/2006

31 de janeiro


uma rua que, por um lado desce "imenso" e por outro sobe de carago!
a foto poderia ter sido tirada no final da reunião de condóminos. Mas não foi!
o povo pede mais reuniões.

#6

08/09/2006

O caso Mateus



O caso Mateus começa a fazer as suas primeiras vitimas. Aguarda-se autópsia para confirmação da causa da morte, suspeita-se de envenenamento por tédio ou colapso por sindrome de "ãh"! O virus "não -acredito" foi posto de parte por se tratar de um caso que envolve futebol. Pinto da Costa mantem-se em blackout, Luis filipe Vieira afirma estarem prontos à hora do jogo, enquanto Dias da Cunha assegura que a relva estará em boas condições para os proximos concertos. Numa flash interview Manuel Vilarinho confirmou gostar muito de Mateus embora lhe provoque azia. Aguardam-se novos desenvolvimentos!

in "Diário da Palmilha"

#4

05/09/2006

Lisbon Stories

Um gajo sabe que está em Lisboa quando, ao passar por baixo de um viaduto, lê: "Teresa, amo-te imenso!"

#1

“Armadilha Para Condóminos”


Texto Ricardo Alves e Salgueirinho Maia

Encenação Ricardo Alves

Músicas Originais e direcção de actores Rodrigo Santos

Desenho Luz e Fotografia Pedro Vieira de Carvalho

Coordenação plástica Sandra Neves

Figurinos Sónia Santos

Interpretação
Ivo Bastos
Joana Carvalho
Pedro Frias
Rodrigo Santos

Produção executiva
Verónica Rodrigues


No Teatro Helena Sá Costa
De 4 a 28 de Outubro de Quarta a Sábado – 21h46


Nestes pequenos textos é habitual escrever algo que motive as pessoas a irem ver o espectáculo. E por isso cá vai:
- Quem não for ver este espectáculo é um saco de estrume e seu pai é um macaco!
Já está motivado?
Motivar as pessoas para ir a um espectáculo é difícil. Aliás, num estudo realizado recentemente ficou comprovado que as pessoas não vão ver um espectáculo por três razões. Não vão por não gostarem de teatro no geral, por não saberem que o espectáculo em questão está em cena ou porque gostam realmente de teatro.